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sábado, novembro 7, 2026

Braskem pede recuperação extrajudicial; mineração de sal-gema provocou afundamento e retirada de 60 mil pessoas em Maceió

O que aconteceu

A petroquímica Braskem comunicou, nesta segunda-feira (24), que solicitará recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida bilionária. A empresa foi responsável pela extração de sal-gema em Maceió, atividade que, em 2018, coincidiu com tremores sentidos em bairros da capital alagoana e desencadeou um processo de danos e realocações nos anos seguintes.

Cronologia dos fatos

Início da mineração: A extração de sal-gema em Maceió teve início em 1976, pela Salgema Indústrias Químicas S/A, que passou por mudanças administrativas e de nome ao longo das décadas: virou Trikem em 1996 (após alterações em 1995) e adotou a marca Braskem em 2002, após fusões. Em 2012 a empresa inaugurou uma fábrica de PVC no Polo Industrial de Marechal Deodoro.

2018–2019: sinais de instabilidade: Em fevereiro de 2018 surgiram grandes rachaduras no bairro do Pinheiro, incluindo uma fissura de 280 metros. Em março, um tremor de magnitude 2,5 agravou a formação de crateras e danos em imóveis. No início de 2019 o piso de um apartamento no Pinheiro afundou subitamente, levando a evacuações, interdições e surgimento de novos buracos. Nos meses seguintes, moradores do Mutange e do Bebedouro também relataram fissuras e desníveis em casas.

Confirmação e primeiras medidas: Em maio de 2019 o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) concluiu que a extração de sal-gema realizada pela Braskem provocou instabilidade no solo. Ordens de evacuação passaram a ser emitidas inicialmente para Pinheiro, Mutange e Bebedouro, depois ampliadas para trechos do Bom Parto e do Farol.

Fechamento das minas e efeitos: Em novembro de 2019 a Braskem anunciou o fechamento definitivo dos poços de extração em Maceió e iniciou trabalhos para selar e estabilizar 35 minas com profundidade média de 886 metros. Especialistas estimaram que a estabilização demandaria ao menos dez anos. Desde então, mais de 14 mil imóveis foram desocupados, atingindo cerca de 60 mil pessoas. A empresa criou, no final de 2019, um Programa de Compensação Financeira para indenizar proprietários; divergências sobre valores geraram ações judiciais.

Etapas posteriores e acordos: Em janeiro de 2022 foram demolidos cerca de 2 mil imóveis no Mutange, primeira etapa de intervenções em área de aproximadamente 200 mil m². Em janeiro de 2023 a Braskem acordou ressarcir a Prefeitura de Maceió em R$ 1,7 bilhão. Protestos de moradores do Bom Parto ocorreram ao longo de 2023 por inclusão no programa de compensação. Em novembro daquele ano, após cinco tremores no mês, a Justiça Federal determinou a evacuação de moradores do Bom Parto por risco de colapso em mina próxima à lagoa Mundaú, autorizando até o uso de força policial se necessário. Em 29 de novembro de 2023 o Hospital Sanatório, no Pinheiro, transferiu pacientes para outras unidades mesmo sem ordem formal de evacuação.

Colapso e ações federais: A Prefeitura decretou situação de emergência, reconhecida pelo governo federal em 1º de dezembro de 2023. Em 10 de dezembro houve rompimento parcial da mina 18; a Defesa Civil informou que a cavidade foi preenchida com rocha e água da lagoa, estabilizando a área. Em 2023 a Polícia Federal deflagrou a Operação Lágrimas de Sal, cumprindo 14 mandados de busca e apreensão em Maceió (11), Rio de Janeiro (2) e Aracaju (1).

Desdobramentos jurídicos e estudos posteriores: Em 2025 a Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) divulgou estudo indicando que danos vão além das áreas oficialmente reconhecidas, com indícios de afundamento em Flexal de Cima, Flexal de Baixo, Bom Parto e Marquês de Abrantes, e pediu desocupação dessas regiões; a Defesa Civil informou que monitora as áreas sem ver, até então, motivos para ampliar perímetros de risco. Em junho de 2025 moradores do Farol e do Pinheiro relataram novas rachaduras, vistoriadas pela Defensoria. Em novembro de 2025 Braskem e o governo de Alagoas anunciaram acordo de R$ 1,2 bilhão, com previsão de pagamento em 10 anos; a empresa informou ter pago R$ 139 milhões até então.

Denúncia e responsabilização: Em 2026 a Justiça Federal em Alagoas recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra a Braskem, ex-dirigentes e técnicos, tornando-os réus em ação penal que apura a responsabilidade pelo desastre socioambiental. Entre os crimes apontados estão poluição ambiental qualificada; elaboração e apresentação de estudos ambientais falsos ou enganosos; extração irregular de recursos minerais; e dano qualificado ao patrimônio.

O caso segue em investigação e tramitação judicial, enquanto permanecem medidas de monitoramento e compensação para as áreas afetadas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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