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sábado, novembro 7, 2026

Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões)

A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, protocolou nesta segunda-feira (24) pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões, equivalentes a R$ 56 bilhões em dívidas. A iniciativa foi formalizada em conjunto com controladas e distribuída na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, informou a empresa em fato relevante.

Cronograma e próximos passos

– Hoje (24): protocolo e início do período de 90 dias de proteção;
– 31 de agosto: apresentação de plano de negócios atualizado e proposta detalhada aos credores;
– 9 de setembro: realização de reuniões presenciais entre executivos, acionistas e credores;
– 9 de outubro: prazo para buscar acordo sobre as principais condições comerciais;
– Até o fim dos 90 dias: obter apoio suficiente para aprovar o plano definitivo.

A recuperação extrajudicial abrange dívidas financeiras da Braskem e de cinco empresas do grupo no exterior e prevê negociações que podem incluir alongamento de prazos, capitalização de juros e um alívio financeiro inicial. A medida ocorre paralelamente à reestruturação da subsidiária mexicana Braskem Idesa, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11. O plano da Braskem prevê ainda aporte de US$ 476 milhões (R$ 2,427 bilhões) da companhia para manter o controle da subsidiária mexicana.

Causas e contexto financeiro

A decisão de buscar recuperação extrajudicial decorre de pressões financeiras acumuladas nos últimos anos. Entre os fatores citados estão os custos decorrentes do desastre geológico em Maceió, causado pela exploração de sal-gema, que resultou na desocupação de mais de 14 mil imóveis e afetou cerca de 60 mil pessoas. A Braskem já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões com indenizações e realocações e mantém R$ 3,24 bilhões reservados para custos futuros relacionados ao desastre.

O setor petroquímico global também enfrentou piora de condições, com aumento de oferta — impulsionado pela expansão chinesa — e queda de preços e demanda. Em 2025, o EBITDA recorrente da Braskem somou US$ 557 milhões (R$ 2,840 bilhões), queda de 49% em relação a 2024. Ao final de 2025, a dívida líquida da companhia era de US$ 7,5 bilhões (R$ 38,25 bilhões), com relação dívida/EBITDA de 14,7 vezes.

As dificuldades refletiram-se nas ações da empresa, com queda acumulada de cerca de 82% desde o início da crise em Maceió, passando de R$ 42,05 em fevereiro de 2018 para R$ 7,51 em 18 de junho de 2026. A Braskem Idesa também deixou de pagar juros de títulos com vencimento em 2029 e 2032, configurando default.

Houve ainda mudança no controle acionário: em abril, a Novonor (antiga Odebrecht) assinou contrato para vender sua fatia de controle ao fundo Shine I, assessorado pela IG4 Capital. A operação, concluída em junho, passou a dividir o controle da Braskem entre o fundo ligado à IG4 e a Petrobras. A Petrobras detém cerca de 47% do capital votante e 36,1% do capital total; o fundo ligado à IG4 possui 50,1% do capital votante.

Criada em 2002 a partir da integração de ativos da Novonor e do Grupo Mariani, a Braskem produz resinas termoplásticas e insumos químicos, opera em 11 países, emprega mais de 8 mil pessoas, mantém 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e sete centros de inovação, e atende clientes em mais de 70 países. Em 2025, registrou receita líquida de R$ 70,7 bilhões; no segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 21,72 bilhões e lucro líquido de R$ 3,33 bilhões.

Mesmo com melhoria nos resultados do segundo trimestre de 2026, a companhia segue sob forte pressão financeira devido ao elevado endividamento, aos desdobramentos do desastre em Maceió e ao contexto frágil do mercado petroquímico global.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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