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quinta-feira, outubro 29, 2026

Café agroecológico avança no Espírito Santo com produção sustentável e maior valor de mercado

Cultivo em sistema agroflorestal alia sustentabilidade, qualidade e rentabilidade

Produtores do Espírito Santo têm ampliado a adoção do café agroecológico, modelo em que plantas de café conilon são cultivadas sob copas de espécies nativas em sistemas agroflorestais. A prática oferece proteção térmica às lavouras, manejo orgânico do solo e, segundo agricultores e técnicos, impacto positivo no sabor dos grãos.

Na propriedade de Vila Valério, no Norte do estado, o produtor Dieimes Bohry mantém cerca de 700 pés de conilon nesse sistema. Ele afirma que a sombra retardap a maturação dos frutos, o que proporciona maior tempo de permanência no pé e, consequentemente, maior acumulação de açúcares no grão.

O manejo segue um calendário dividido em duas fases: de dezembro a abril, as copas formam uma cobertura que reduz o impacto do sol e de chuvas intensas; entre maio e agosto, período de temperaturas mais amenas, ocorre a colheita e a poda das árvores que compõem o sistema. A adubação é orgânica, feita com esterco animal e com a matéria resultante das podas, que enriquece o solo e fornece nutrientes às plantas de café.

Após a colheita, os grãos passam por um processo de seleção rigoroso. Os frutos são lavados para remover impurezas e separat os grãos que flutuam na água, considerados de menor qualidade. Em seguida, o café é seco em terreiros suspensos, triado novamente e encaminhado para descascamento e torra. O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) acompanha tecnicamente todas as etapas, e amostras são enviadas a laboratório para avaliação física e sensorial, incluindo aroma e sabor da bebida.

O técnico agrícola Tássio Sousa ressalta que o conjunto do manejo em campo e o cuidado no pós-colheita têm resultado em cafés com padrão de qualidade elevado e potencial de destaque no mercado. A produção em sistema agroflorestal pode receber preços até quatro vezes superiores aos do cultivo convencional, o que tem estimulado novos investimentos nesse modelo.

A agricultora Luciene Pessin também adotou a prática e observa que o café especial, desde o plantio, apresenta diferenciação que se reflete no valor pago pelo consumidor na xícara. Além do retorno econômico, produtores destacam o benefício ambiental: a agrofloresta contribui para a preservação de árvores nativas e reduz o impacto econômico-ambiental da cultura.

O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por cerca de 70% da produção nacional. A cultura representa 38% do PIB agrícola do estado, com aproximadamente 286 mil hectares cultivados em 49 mil propriedades distribuídas por 68 municípios. Entre os maiores produtores estão Linhares, Rio Bananal, Jaguaré, Vila Valério e Nova Venécia. A colheita de 2026 está prevista para começar em agosto.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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