Quem e o que: Pesquisadores que atuam no Nordeste do Pará localizaram exemplares da espécie Coffea liberica, popularmente chamada de “café beirão”. A planta é rara na produção mundial de café, representando apenas 0,01% da oferta global.
Onde e registro: O maior exemplar encontrado até agora está no quintal da família do agricultor Agílio Cordeiro Vieira, em Irituia (PA). As amostras coletadas na região foram levadas à Embrapa em Belém para identificação e preservação.
Características da espécie: As árvores de libérica registradas no Pará podem atingir 11 metros de altura e troncos de até 60 centímetros de diâmetro. As folhas são grandes e os frutos, alaranjados quando maduros, chegam a ter o dobro do tamanho dos grãos do arábica. A casca é grossa e o teor de cafeína da espécie é intermediário, superior ao arábica e inferior ao canéfora.
Modo de cultivo observado: Diferentemente das lavouras convencionais de arábica e canéfora, as plantas de libérica mapeadas se desenvolvem à sombra de árvores nativas, em solos frescos e ricos em matéria orgânica, e foram encontradas isoladamente em quintais produtivos.
Perfil sensorial e uso: Análises sensoriais iniciais apontam que o café produzido exclusivamente com grãos de libérica tem perfil mais frutado que o arábica e um caráter herbal que lembra chá-verde, segundo o barista Adriano Vitti Mota.
Desafios ao cultivo comercial: O porte elevado dificulta a colheita manual e demanda poda para reduzir a altura. A casca muito dura dos frutos impõe necessidade de adaptação ou desenvolvimento de equipamentos específicos para beneficiamento.
História e distribuição: Foram mapeadas apenas sete plantas no Pará até o momento. A hipótese principal para a presença da espécie na Amazônia é a chegada de mudas durante a expedição militar de Francisco Palheta, há quase 300 anos. Embora produzida em pequena escala em países como Indonésia, Filipinas, Malásia, Libéria e Costa do Marfim, a libérica não é cultivada comercialmente no Brasil, mas já foi utilizada em programas de melhoramento do arábica por sua resistência à ferrugem.
Pesquisa e preservação: As amostras recolhidas passaram por prensagem, secagem em estufa, congelamento e digitalização antes de serem incorporadas ao herbário da Embrapa, que reúne cerca de 206 mil exemplares. A primeira etapa do estudo recebeu aproximadamente R$ 115 mil da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A expectativa é a liberação de novos recursos para a segunda fase, que avaliará o potencial do café libérica para mercados domésticos e de exportação.
Com informações de G1




