Do Brasil para o exterior
Competições conhecidas como “farmar aura” tiveram origem no Brasil e já ganharam adeptos em outras nações, entre elas Peru, México, Argentina e Espanha. Vídeos das disputas começaram a circular nas redes sociais no início de junho, com postagens vindas de estados como Pará e Ceará.
O conceito de “farmar aura” vem do vocabulário de games e animes e, de forma geral, refere-se a acumular pontos ou conquistar a admiração alheia. Nas batalhas, participantes executam poses, danças ou gestos virais para provocar a maior reação possível do público, sem demonstrar esforço explícito.
Por que se espalhou tão rápido
Pesquisadores e especialistas relacionam o rápido avanço da prática à sua dimensão visual e performática. Para a professora Clotilde Perez, da Universidade de São Paulo (USP), o caráter físico das competições facilita a compreensão entre diferentes idiomas, pois dança, movimento e gritos permitem que pessoas de outras línguas entendam o que acontece sem depender da comunicação verbal.
Nem todos, no entanto, receberam a novidade de forma positiva. Em alguns colégios na Costa Rica, escolas chegaram a vetar as batalhas, alegando que elas poderiam gerar conflitos ou atrapalhar o rendimento escolar.
O significado para os jovens
Para muitos adolescentes, essas disputas vão além do entretenimento: representam espaços de experimentação social. A psicóloga e pesquisadora Mayara Mendes afirma que participar das batalhas pode ajudar na construção de pertencimento e na descoberta da própria identidade. Segundo ela, colocar-se em situação de risco — ao tentar “farmar” uma aura e eventualmente falhar — cria oportunidades para aprender a lidar com o erro e com a visibilidade pública.
Assim, enquanto circulam globalmente e provocam debates sobre seus efeitos nas escolas, os campeonatos de “farmar aura” seguem como expressão cultural entre jovens, combinando elementos das redes sociais, da cultura pop e de performances públicas.
Com informações de G1




