Canadá aplica tarifas equivalentes às dos EUA a partir de 8 de setembro de 2026
O governo canadense iniciou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, a cobrança de novas tarifas de 15%, 25% e 50% sobre produtos importados dos Estados Unidos, que atingem mercadorias avaliadas em 27,6 bilhões de dólares canadenses (cerca de US$ 20 bilhões ou R$ 103 bilhões pela cotação informada). A lista inclui itens como aço, alumínio, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose, plásticos e componentes eletrônicos.
Segundo Ottawa, as alíquotas foram estabelecidas para retribuir, em valores e setores correspondentes, as taxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos canadenses. As tarifas canadenses não se aplicam a mercadorias que já estavam em trânsito para o país quando as medidas entraram em vigor e valem apenas para bens considerados de origem americana. Além disso, o Canadá manteve tarifas de retaliação já existentes sobre automóveis americanos.
Como a disputa escalou
A atual disputa teve início no começo de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu segundo mandato, anunciou uma série de tarifas contra produtos do Canadá. Entre as justificativas citadas por Washington estavam o combate ao tráfico de fentanil e a tentativa de reduzir o déficit comercial dos EUA. Em março de 2025, os Estados Unidos passaram a cobrar 25% sobre diversos produtos canadenses e 10% sobre parte das importações de energia, e Ottawa reagiu com uma primeira lista de retaliações que incluiu alimentos, bebidas, eletrodomésticos e roupas.
O conflito se estendeu a aço e alumínio, com tarifas de 25% impostas pelos EUA e respostas do Canadá que envolveram também computadores, servidores, monitores e equipamentos esportivos. Em março de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre automóveis importados, com tratamento distinto para veículos que atendessem regras do acordo USMCA; em abril, o Canadá respondeu com taxas sobre veículos que não cumpriam essas regras e sobre certos componentes produzidos fora da América do Norte.
Negociações entre os líderes prosseguiram ao longo de 2025: Carney se reuniu com Trump na Casa Branca em maio, e foi estabelecido um prazo de 30 dias para avanços. As conversas foram interrompidas em junho após um impasse sobre o imposto canadense sobre serviços digitais; o Canadá retirou a medida buscando retomar o diálogo. Washington, por sua vez, elevou algumas tarifas para 50% ainda em 2025, e Ottawa retirou em setembro parte de suas taxas de retaliação, mantendo, porém, cobranças sobre aço, alumínio e automóveis.
Novos capítulos em 2026
Ao longo de 2026 a tensão voltou a crescer. Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 10% sobre produtos canadenses vinculada a uma investigação sobre trabalho forçado, com isenção para mercadorias que cumprissem regras do USMCA. No mesmo mês ocorreu a primeira revisão obrigatória do USMCA, na qual Washington decidiu acionar o mecanismo de revisões anuais.
Também em julho de 2026, o governo americano recorreu à Seção 338 da legislação comercial para anunciar tarifas adicionais de até 50% sobre cerca de 27,6 bilhões de dólares canadenses em produtos, incluindo vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas e equipamentos esportivos. Apesar das tentativas de negociação para evitar nova escalada, as conversas fracassaram em agosto. Em 22 de agosto, os EUA passaram a aplicar tarifas de 50% sobre produtos canadenses; dois dias depois, a administração americana anunciou ainda uma tarifa de 50% sobre carros, caminhões e peças automotivas que passaria a valer em janeiro de 2027.
Repercussões e pontos específicos
Na véspera da entrada em vigor das tarifas canadenses, em 7 de setembro, o presidente Trump afirmou que a fabricante canadense Bombardier deveria produzir seus jatos executivos nos Estados Unidos para manter acesso ao mercado americano, sob pena de impedimento de venda. A Bombardier conta com cerca de 3,5 mil funcionários nos EUA, centros de serviços e uma cadeia de fornecedores americanos, além de gastar mais de US$ 2,5 bilhões por ano com fornecedores dos EUA.
Como contrapartida a incentivos à produção local, o governo do Canadá destinou 4,7 bilhões de dólares canadenses para produzir e manter 313 vagões da VIA Rail no país, um projeto que deve sustentar quase 700 empregos e que substituirá equipamentos antes fabricados nos Estados Unidos.
Dados recentes do comércio canadense mostram que, em julho, o superávit comercial de bens do país caiu para 769 milhões de dólares canadenses, ante 4,2 bilhões em junho. No mês, as exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6%, enquanto as importações americanas cresceram 1,8%. Em agosto, o Canadá registrou perda de cerca de 42 mil empregos e taxa de desemprego de 6,4%. Esses números foram citados como reflexo do ambiente de maior incerteza enfrentado pela economia canadense.
As novas tarifas canadenses começam a valer na data anunciada e permanecerão como parte da sequência de medidas adotadas por Ottawa após o rompimento das negociações com Washington.
Com informações de G1




