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quinta-feira, outubro 29, 2026

Canal do Panamá é principal beneficiário do fechamento do estreito de Ormuz, com aumento de tráfego e receitas

O canal do Panamá passou a ser uma rota alternativa para o transporte de petróleo e gás desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, e vem registrando aumento significativo no tráfego e nas receitas, segundo autoridades e especialistas.

De acordo com a Autoridade do Canal do Panamá, o tráfego pela via cresceu cerca de 11% desde o começo do conflito, chegando a picos de até 20% em dias de maior demanda. As tarifas, que variam conforme o tamanho do navio, o volume da carga e o tipo de produto, também subiram: houve casos excepcionais, como um navio de gás que pagou US$ 4 milhões para atravessar a hidrovia.

Parte do aumento de preços se explica por um sistema de leilões de vagas que permite a embarcações sem reserva antecipada comprar passagem mais rápida. Nesse mecanismo, o valor final depende da urgência da empresa em chegar ao destino, e alguns preços chegaram a dobrar.

“O conflito e a insegurança em Ormuz obrigaram o desvio de rotas e a busca por alternativas seguras”, afirmou Eduardo Lugo, presidente e diretor-executivo da consultoria Maritime & Logistics Consulting Group, à BBC Mundo.

O diretor financeiro da Autoridade do Canal do Panamá, Víctor Vial, disse à BBC News Mundo que o aumento do tráfego e os ganhos obtidos nos leilões apontam para um crescimento de receita estimado entre 10% e 15%, mas ressaltou que é difícil prever por quanto tempo essa situação se manterá. “As coisas mudam muito rápido” em cenários assim, afirmou Vial, e por isso a autoridade ainda não revisou projeções anuais.

Especialistas dizem que navios que transportam petróleo e gás natural liquefeito têm deslocado, ao menos temporariamente, porta-contêineres, navios frigoríficos e cargueiros de grãos, à medida que compradores buscam garantir fornecimento de petróleo bruto. “O que realmente está acontecendo é que a energia proveniente dos Estados Unidos está substituindo os volumes que antes eram enviados para a Ásia a partir de cargas vindas do Golfo”, declarou Marc Gilbert, líder global do Centro de Geopolítica do Boston Consulting Group (BCG), à BBC News Mundo.

Gilbert também aponta que o uso do canal eleva os custos do transporte marítimo: a viagem dos Estados Unidos até a Ásia é mais longa, o pedágio é maior e atrasos nas eclusas tornam a operação mais cara do que o trajeto pelo estreito de Ormuz.

O canal do Panamá, que tem cerca de 80 quilômetros e conecta Atlântico e Pacífico, responde por aproximadamente 3% do comércio marítimo global. Embora não seja a principal fonte de renda do país, é um motor econômico relevante: no ano fiscal de 2025, o canal gerou cerca de US$ 5,7 bilhões em receitas, das quais cerca de US$ 3 bilhões foram transferidos diretamente para o Tesouro Nacional. Essa contribuição direta representou 3,4% do Produto Interno Bruto do Panamá.

Além da transferência anual dos excedentes econômicos prevista na Constituição panamenha, a atividade do canal alimenta uma cadeia logística ampla, incluindo portos, ferrovias e o comércio da Zona Libre de Colón. Após a seca sem precedentes de 2023, as chuvas recentes ajudaram o canal a responder ao aumento repentino da demanda causado pelo conflito no Irã.

Com o possível aumento de receitas neste ano, o Panamá pode receber recursos adicionais não previstos no orçamento, enquanto armadores e refinarias seguem ajustando rotas e estoques diante da incerteza sobre a duração do conflito.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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