22.6 C
Uberlândia
terça-feira, outubro 13, 2026

Candidatos querem atrair data centers para o Brasil enquanto cresce rejeição nos EUA

Propostas e contexto

Candidatos bem posicionados nas pesquisas presidenciais apresentam propostas para atrair a instalação de data centers no Brasil, citando benefícios ligados ao avanço da inteligência artificial, incentivos fiscais e produção local de componentes. A discussão ocorre enquanto países como os Estados Unidos enfrentam resistência popular e protestos contra a expansão dessas estruturas.

Dados e diferenças entre países

Os Estados Unidos lideram em número de data centers, com mais de 4.700 complexos, segundo o site Data Center Map em setembro. O Brasil tem 218 unidades e ocupa o 12º lugar no ranking global. A necessidade de processar e armazenar informações fora do país ajudou a gerar um déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação em 2025, segundo a Brasscom.

Reações e riscos

Moradores de cidades americanas realizaram protestos contra a expansão de centros de dados, e autoridades brasileiras também têm questionado impactos ambientais e sociais. Pesquisa Reuters/Ipsos indicou que 64% dos norte-americanos discordam que construir data centers rapidamente seria algo positivo para o país, e 57% são contrários à presença desses empreendimentos em seus bairros.

Para Daniel Cordeiro, professor na Universidade de São Paulo (USP) e especialista em computação sustentável, o Brasil precisa ampliar sua capacidade computacional, mas deve se antecipar aos problemas verificados em outros países. Ele afirma que o país ainda não atingiu a escala que provocou os problemas observados no exterior e defende precauções.

Redata e exigências

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera impostos de importação de equipamentos destinados a esses centros. Para obter o benefício, as empresas terão de utilizar apenas energia renovável ou de baixo carbono, limitar o consumo de água a, no máximo, 50ml por quilowatt-hora (kWh), destinar 10% da capacidade ao mercado brasileiro e aplicar 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no país.

Consultoras destacam que pontos do Redata ainda dependem de regulamentação, incluindo a definição do que será considerado “energia de baixo carbono”, o que poderá influenciar a permissividade para o uso de gás natural.

Posições de candidatos

No plano de governo, o presidente Lula (PT) defende o fomento a empresas brasileiras de inteligência artificial e a criação de versões nacionais de modelos de linguagem. Flávio Bolsonaro (PL) propõe redução de impostos sobre energia para data centers e relaciona a demanda dessas instalações à exploração de minerais estratégicos para fabricação de chips. Ronaldo Caiado (PSD) inclui data centers em uma cadeia de inovação que abrange semicondutores e modelos de linguagem. Renan Santos (Missão) quer transformar o Brasil em grande exportador de processamento de dados para IA e criar zonas com regimes tributários específicos. Romeu Zema (Novo) enfatiza a necessidade de um ambiente regulatório estável para garantir segurança jurídica ao setor. Outros candidatos não mencionam data centers em seus programas.

Agenda e próximos passos

Especialistas afirmam que as políticas para atrair data centers devem levar alguns anos para produzir efeitos, e pedem atenção para adaptar a infraestrutura industrial e medir impactos sociais e ambientais. Consultoras ressaltam também fatores favoráveis ao Brasil, como a extensa rede de cabos submarinos e o tamanho do mercado interno, e observam que o debate no país mudou de “se” instalar data centers para “quais regras” vão reger essas instalações.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também