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domingo, outubro 25, 2026

Cantor Natanzinho Lima admite uso de Venvanse para rotina de shows; médicos alertam para riscos

O cantor Natanzinho Lima afirmou, em participação no podcast “Podpah”, que usou cápsulas do medicamento Venvanse (lisdexanfetamina) para suportar a sequência de apresentações. A declaração reacendeu o debate sobre o consumo de psicoestimulantes — como a lisdexanfetamina e o metilfenidato (comercializados como Venvanse, Ritalina e Concerta) — para enfrentar jornadas exaustivas de trabalho ou longos períodos de estudo.

O que são e como atuam

Metilfenidato e lisdexanfetamina integram a família dos estimulantes do sistema nervoso central. Esses fármacos alteram a atividade das sinapses — locais em que neurônios trocam neurotransmissores — e aumentam o estado de alerta. O metilfenidato age principalmente por inibir a recaptação de neurotransmissores, prolongando sua ação na sinapse. Já a lisdexanfetamina, derivada de anfetamina, eleva a disponibilidade de noradrenalina e dopamina, produzindo um efeito estimulante mais intenso.

Indicações médicas

O metilfenidato é indicado para tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adultos e para narcolepsia. A lisdexanfetamina tem indicação para TDAH e transtorno de compulsão alimentar, é comercializada em cápsulas de 30 mg, 50 mg e 70 mg, e sua venda exige retenção da receita médica.

O que dizem especialistas

Especialistas consultados pelo G1 lembram que, embora pessoas com diagnóstico de TDAH apresentem melhora documentada na atenção com esses medicamentos, não há comprovação de aumento da inteligência em indivíduos sem o transtorno. O psiquiatra Amilton Santos Jr., professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ressalta que o remédio não é cura nem o único tratamento para TDAH e que abordagens não farmacológicas também são importantes.

Henrique Bottura, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista, afirma que, em quem não tem diagnóstico, os ganhos no desempenho cognitivo são incertos e que faltam evidências de efeitos prolongados sobre rendimento acadêmico. A expressão “pílulas da inteligência”, usada entre universitários e concurseiros, não encontra respaldo científico para pessoas sem indicação médica.

Riscos associados ao uso sem prescrição

O uso indiscriminado pode provocar ansiedade, cefaleia, perda de apetite, alucinações e agravar quadros psiquiátricos pré-existentes, além de sintomas de abstinência quando interrompido. Em doses elevadas, anfetaminas como a lisdexanfetamina podem prejudicar memória e atenção, além de causar rabdomiólise e hepatite. Há também risco de elevação da pressão arterial, arritmias e sobrecarga cardíaca, o que pode ser especialmente perigoso para pessoas com hipertensão.

O pesquisador Fernando Freitas, da Ensp/Fiocruz, alerta para o potencial de dependência psicológica e para a necessidade de acompanhamento profissional. Médicos consultados reiteram que medicamentos devem ser usados conforme avaliação individual e sob supervisão de especialista, e desaconselham a automedicação.

Ao expor o uso do medicamento para dar conta da rotina de shows, Natanzinho Lima reacendeu a discussão sobre práticas que já vinham sendo mencionadas em ambientes acadêmicos e profissionais, e sobre a importância do controle e do acompanhamento médico no uso desses remédios.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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