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sábado, outubro 24, 2026

Cartão de crédito lidera volume de dívidas no Brasil; empréstimos e cheque especial também crescem

TRANSMISSÃO: Record

Endividamento em alta entre modalidades de crédito em 2025

O cartão de crédito permaneceu como a principal fonte de dívidas administradas no país em 2025, apesar de uma redução de 2% em relação a 2024. Levantamento da Recovery, obtido pelo G1, indica que ao menos 19 milhões de brasileiros tinham saldo em aberto no cartão no ano passado, considerando a base de 34 milhões de consumidores com dívidas sob gestão da empresa.

Os números da Recovery mostram que, no conjunto sob gestão, havia mais de 80 milhões de débitos em atraso em 2025. Do total, cerca de 6 milhões foram renegociados e transformados em acordos, e apenas 193 mil registros se originaram de empresas — a maioria refere-se a pessoas físicas.

A distribuição regional evidencia maior concentração no Sudeste: aproximadamente 4,4 milhões de endividados com cartão em São Paulo, 2,4 milhões no Rio de Janeiro e 1,4 milhão na Bahia entre os estados com maiores volumes.

Outras modalidades também se destacaram. As dívidas relacionadas a empréstimos e ao cheque especial aumentaram cerca de 7% ao longo de 2025, passando de 12,7 milhões para 13,5 milhões de registros. Nesse conjunto, os maiores volumes concentram-se igualmente no Sudeste: São Paulo com cerca de 3,8 milhões, Rio de Janeiro com 1,6 milhão e Minas Gerais com 1,2 milhão.

O avanço da inadimplência ocorreu num contexto de crédito mais caro. Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais, levando a Selic para 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Essa elevação encareceu operações como o rotativo do cartão, parcelamentos e empréstimos, pressionando orçamentos já afetados por atrasos.

A inflação oficial (IPCA) fechou 2025 em 4,26%, o menor resultado desde 2018, mas o ritmo mais baixo de reajustes não se traduziu em alívio de custos para muitas famílias. O consumo das famílias avançou apenas 1,3% em 2025, ante crescimento de 5,1% em 2024. Mesmo com desemprego em nível histórico mínimo e renda média recorde, as compras passaram a depender majoritariamente da renda do trabalho.

Especialistas ouvidas pela pesquisa da Recovery destacam que o cartão de crédito tem sido usado como solução imediata para fechar as contas mensais, o que pode transformar despesas em dívidas de longo prazo quando há atrasos e juros elevados. Helena Passos, head de Dados e Planejamento na Recovery, afirma que 2026 será um ano decisivo para a reconstrução financeira de milhões de endividados e aponta para a necessidade de maior foco em educação financeira, renegociações conscientes e políticas que favoreçam a retomada responsável do crédito.

Segundo a Recovery, a digitalização também avança nas renegociações: atualmente, 77% das negociações feitas pela empresa ocorrem por canais digitais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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