A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que resultou na prisão novamente do banqueiro Daniel Vorcaro, também envolveu dois servidores do Banco Central (BC) que ocuparam cargos de destaque nos últimos anos. Trata-se de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos alvo de apuração interna da própria autarquia.
Os dois funcionários chegaram a chefiar áreas centrais do BC: Paulo Sérgio Neves de Souza esteve à frente da Diretoria de Fiscalização (Difis) e Belline Santana comandou o Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Segundo a investigação da PF, documentos assinados por esses servidores passaram a ser foco por supostamente terem contribuído para dar sobrevida a negócios suspeitos envolvendo o Banco Master.
De acordo com o Banco Central, os servidores já haviam sido afastados cautelarmente em janeiro. A nova fase da operação da Polícia Federal ocorreu na quarta-feira (4 de março de 2026) e incluiu medidas relacionadas às apurações sobre o Master.
Funções das áreas
Diretoria de Fiscalização (Difis): responsável pela supervisão das instituições financeiras autorizadas a operar no país, a Difis monitora o risco de cada instituição e a estabilidade do sistema financeiro. Entre suas atribuições estão o acompanhamento do modelo de negócio e da solvência das instituições — ou seja, a avaliação da capacidade dos bancos de honrar compromissos de curto e longo prazos — e a verificação do cumprimento de normas e regulamentos em vigor. O chefe da Difis também representa o Banco Central em fóruns internacionais, como o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, que trata de recomendações para gestão de riscos e crises do sistema financeiro.
Departamento de Supervisão Bancária (Desup): subordinado à Difis, o Desup monitora capital e liquidez dos bancos, além de práticas de governança, gestão e controle interno. O departamento sinaliza a necessidade de medidas preventivas, é responsável pela classificação de risco das instituições e supervisiona conglomerados financeiros liderados por bancos, incluindo grupos associados ao Master.
A auditoria do Banco Central vinha investigando fatos ligados ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro obteve autorização para adquirir o Banco Máxima.
Posicionamento do Banco Central
Em nota, o Banco Central afirmou estar convicto do trabalho desenvolvido pela Polícia Federal e informou ter identificado indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. Segundo o BC, os servidores foram imediatamente afastados do exercício de suas funções e do acesso às dependências e aos sistemas da instituição, foram instaurados procedimentos correcionais para apuração dos fatos e os indícios de prática de crimes foram comunicados à Polícia Federal.
O Banco Central acrescentou: “que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei.”
As apurações sobre o envolvimento de servidores e as investigações sobre as operações relacionadas ao Master seguem em andamento.
Com informações de G1




