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sábado, outubro 10, 2026

Chefe da Stellantis na América do Sul admite erro do setor ao subestimar avanço chinês na eletrificação

Presidente da Stellantis reconhece erro na leitura do mercado

Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, afirmou nesta terça-feira (6) que a indústria automotiva ocidental falhou ao estimar a rapidez com que a eletrificação ganharia importância global, abrindo espaço para que fabricantes chineses se tornassem protagonistas no segmento de veículos eletrificados.

“A palavra correta é erro. A indústria ocidental errou na leitura de mercado daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade de avanço de algumas tecnologias. Que o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia”, disse Zola em entrevista.

O executivo, responsável por marcas como Fiat, Jeep, RAM e Leapmotor na região, negou que as montadoras tradicionais tenham ignorado a força chinesa, mas destacou imprecisão nas projeções sobre o crescimento dessas empresas no Brasil. Ele apontou números que demonstram a aceleração: a participação acumulada dos chineses no país foi de 9% no ano passado, passou para 17% neste ano e, no último mês, superou 25%.

Zola relacionou a surpresa com outras falhas de avaliação do setor. Segundo ele, durante a pandemia as montadoras priorizaram questões logísticas — como falta de peças e semicondutores — em detrimento do desenvolvimento técnico e da pesquisa. Além disso, afirmou que a indústria ocidental fragmentou sua cadeia produtiva, enquanto concorrentes chineses avançaram na verticalização, internalizando etapas antes realizadas por fornecedores.

“O chinês veio basicamente para mostrar que esse caminho estava errado do ponto de vista de competitividade. Eles hoje conseguem obter um nível de competitividade muito maior através da verticalização [da produção],” afirmou o presidente da Stellantis.

Zola também criticou a falta de previsibilidade nas regras do mercado brasileiro e a ausência de incentivos para que montadoras instaladas no país utilizem fornecedores nacionais, como fabricantes de pneus, amortecedores, molas, plásticos e aço, o que encarece a produção local em comparação com concorrentes estrangeiros. “O aço chinês é muito mais barato do que o aço brasileiro. Qual marca chinesa compra aço no Brasil hoje? Qual marca chinesa compra plástico no Brasil hoje? Qual marca chinesa usa a cadeia automotiva no Brasil hoje? Nenhuma.”

Dados da Anfavea citados por Zola mostram que, nos oito primeiros meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil veículos, alta de 29,8% em relação a igual período de 2025. Mais da metade dessas importações veio da China: 221 mil unidades, aumento de 109,9% na comparação anual. A entidade também informa que cerca de dois terços do crescimento da produção no país neste ano decorreram de modelos montados em CKD e SKD, práticas amplamente adotadas por marcas chinesas.

Segundo o executivo, o modelo SKD/CKD reduz custos de produção e permite margens que pressionam preços de carros zero km. Ele afirmou que, caso a Stellantis optasse por esses sistemas, sua operação poderia representar apenas 10% do tamanho atual — hoje a empresa emprega cerca de 35 mil pessoas no Brasil.

Zola ressaltou a necessidade de definição de políticas que tragam previsibilidade ao setor. Em paralelo, descreveu a estratégia da Stellantis como foco em entender novas demandas dos clientes, acelerar soluções e implementar uma “redução de custos inteligente”, diferenciando-a de medidas que degradam o valor entregue ao consumidor.

O presidente finalizou mencionando que os caminhos adotados pela empresa buscam mitigar vantagens de concorrentes que já oferecem soluções 100% elétricas, PHEV e HEV, segmentos nos quais algumas marcas do grupo ainda não possuem oferta completa.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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