País anuncia campanha envolvendo 11 montadoras e carros elétricos
A China iniciou nesta sexta-feira (21) a maior campanha de recall automotivo já realizada no país, envolvendo 11 montadoras e diversos modelos de veículos elétricos. A ação foi motivada por preocupações com os mecanismos de abertura das portas em situações de emergência, especialmente quando esses sistemas dependem exclusivamente de componentes eletrônicos.
O recall atinge veículos registrados no mercado chinês e, até o momento, não inclui automóveis comercializados no Brasil. Entre as fabricantes citadas pelos órgãos reguladores estão Tesla, Xiaomi, Leapmotor, Xpeng, Zeekr e Lynk & Co, algumas das quais têm presença em outros países, inclusive no Brasil.
As autoridades chinesas alertaram que as chamadas maçanetas embutidas — projetadas para ficar alinhadas à carroceria e, em muitos casos, acionadas por aproximação, pressão ou por comando eletrônico — podem tornar-se difíceis de localizar ou operar após uma colisão grave que cause falha elétrica. Esse problema colocaria em risco a evacuação de ocupantes e o trabalho das equipes de resgate.
A Tesla é a empresa mais afetada pela campanha: a fabricante anunciou recall de cerca de 2,98 milhões de unidades dos modelos Model 3, Model Y, Model S e Model X produzidos na China ou importados para o país. A medida começa em 25 de setembro. Segundo a empresa, serão instaladas etiquetas para facilitar a identificação das alavancas de emergência e será disponibilizada uma atualização de software que pode baixar automaticamente os vidros após uma colisão.
Outras montadoras também comunicaram recalls significativos. A Xiaomi informou que chamará mais de 390 mil unidades do SU7, enquanto a Leapmotor anunciou que terá mais de 371 mil veículos envolvidos. Documentos enviados ao regulador apontam que nove das 11 fabricantes instalarão gratuitamente etiquetas de advertência para indicar a localização das alavancas mecânicas de emergência e que a maioria oferecerá atualizações remotas de software, conhecidas como OTA.
O uso crescente de maçanetas ocultas ganhou popularidade com a adoção em modelos elétricos, mas os reguladores ressaltam o risco em casos de pane elétrica. Em resposta, a China já anunciou que, a partir de 2027, novos veículos vendidos no país deverão possibilitar a abertura mecânica das portas, inclusive em acidentes ou quando houver falha de energia — tornando-se o primeiro país a prever a eliminação gradual de sistemas que dependem exclusivamente de mecanismos eletrônicos.
A campanha afeta apenas veículos cobertos pelas regras e registros do mercado chinês e não implica, automaticamente, que carros vendidos em outros países estejam incluídos nos recalls divulgados nesta sexta-feira.
Com informações de G1




