A colheita do café no Sul de Minas Gerais segue em ritmo lento e produtores manifestam apreensão sobre a qualidade dos grãos. O principal motivo é o volume de chuvas das últimas semanas, que afetou o andamento dos trabalhos e reduziu a área colhida para cerca de 10% do total previsto, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O Cepea aponta que a expectativa de aceleração das colheitas na segunda quinzena de maio não se confirmou em várias regiões do país, e que a previsão é de que a colheita ganhe mais intensidade entre esta semana e o início de junho. Produtores temem que as precipitações provoquem queda de frutos e prejudiquem a qualidade final do café.
Impacto das chuvas
Em Varginha, importante polo produtor no Sul de Minas, foram registrados 16,5 milímetros de chuva na última semana. As projeções meteorológicas indicam a possibilidade de novas pancadas, o que pode dificultar o progresso da colheita nas próximas semanas.
Apesar disso, as estimativas de volume para Minas Gerais até a primeira semana de junho devem permanecer próximas à média histórica, que costuma registrar condições mais secas. Esse cenário oferece algum alívio em termos de quantidade, mas a incerteza sobre a qualidade dos grãos permanece.
Produção e panorama da safra
O Sul de Minas concentra a maior parte da produção de café arábica do país, com papel relevante no mercado interno e externo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que Minas Gerais deverá produzir 32,8 milhões de sacas na safra de 2026, o que representa um aumento de cerca de 30% em relação à temporada anterior.
Embora a colheita esteja mais lenta no Sul de Minas, outras áreas do estado mostram ritmos distintos: nas Matas de Minas, a colheita já avançou entre 10% e 15% da área cultivada, enquanto no Cerrado Mineiro o progresso é estimado em cerca de 5%.
Comparativo com cafés canéfora
Por outro lado, a colheita do café canéfora (robusta/conilon) avança com maior rapidez em algumas regiões. No Espírito Santo, a colheita atingiu entre 15% e 25% da área, ao passo que em Rondônia o trabalho já superou 60% das áreas cultivadas.
Mercado e produtores acompanham de perto as condições climáticas, pois um avanço da colheita em condições mais secas é considerado importante para preservar a qualidade do produto. Atrasos prolongados podem comprometer não só a qualidade dos grãos, mas também a logística e o ritmo das exportações ao longo do segundo semestre.
Com informações de Uberlandianofoco




