Circuit breaker interrompe negociações após derrocada do Ibovespa
O mecanismo de segurança conhecido como circuit breaker foi acionado nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, depois que o Ibovespa caiu 16,48% ao longo do pregão. A reação no mercado aconteceu após a confirmação, no domingo (25), da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da derrota de Flávio Bolsonaro (PL).
O circuit breaker é um instrumento adotado pela Bolsa de Valores brasileira (B3) para suspender temporariamente as negociações quando o índice registra quedas muito bruscas. O objetivo oficial é frear movimentos de pânico e proporcionar um intervalo para que investidores reavaliem posições.
Acionamentos durante a pandemia de Covid-19
O último acionamento antes do episódio atual havia ocorrido durante o avanço da pandemia de Covid-19, em 2020, quando o mercado passou por forte aversão ao risco. Naquele mês, o mecanismo foi disparado seis vezes:
9 de março de 2020: primeiro acionamento do período, após queda superior a 10% no Ibovespa.
11 de março de 2020: reaplicação do circuito breaker no mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia.
12 de março de 2020: o mecanismo foi acionado duas vezes no mesmo dia — primeiro após recuo de 10% e, após a retomada, novamente quando o índice chegou a cair 15%.
16 de março de 2020: nova interrupção depois de queda superior a 12% na abertura do pregão.
18 de março de 2020: sexto acionamento do mês, com o Ibovespa fechando o dia com queda de 10,35%.
Histórico de acionamentos em outras crises
O uso do circuito breaker na B3 não é exclusivo da pandemia. Episódios anteriores ilustram como o mecanismo é acionado em tempos de choque político e financeiro.
Em 18 de maio de 2017, no episódio chamado de “Joesley Day”, a divulgação de uma gravação envolvendo o empresário Joesley Batista e o então presidente Michel Temer provocou queda superior a 10% na manhã seguinte, levando à suspensão das negociações por 30 minutos. O Ibovespa encerrou o dia com recuo de 8,8%.
Durante a crise financeira global de 2008, o circuit breaker foi disparado diversas vezes. Em outubro daquele ano, as negociações foram interrompidas múltiplas vezes — quatro suspensões de 30 minutos e uma de uma hora — e, em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. As datas de acionamento registradas naquele período incluem 29 de setembro; 6 de outubro (duas vezes no mesmo dia); 10 de outubro; 15 de outubro; e 22 de outubro.
Em 1999, em meio a uma crise cambial, o mecanismo foi acionado em 14 de janeiro, com suspensão de 30 minutos e fechamento do pregão com perda acumulada de 9,33%.
Na crise financeira russa de 1998 o circuit breaker também foi usado cinco vezes. Um dos momentos mais críticos ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando as negociações foram interrompidas por uma hora e o índice encerrou o dia com queda de 15,82%.
O primeiro acionamento do circuito breaker no Brasil data de 28 de outubro de 1997, no contexto da crise financeira asiática. A Bovespa havia registrado queda superior a 14% na véspera e, no dia seguinte, o mecanismo foi utilizado pela primeira vez para interromper as negociações; naquele mesmo ano, o circuito foi acionado outras duas vezes.
O acionamento desta segunda-feira marca, portanto, a retomada do uso do mecanismo após o intenso período de 2020 e integra o histórico de intervenções da Bolsa em episódios de elevada volatilidade.
Com informações de G1




