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sábado, outubro 24, 2026

Como a China virou referência em infraestrutura por meio de projetos rápidos e em grande escala

TRANSMISSÃO: Globo

Nas últimas décadas, a China deixou de ser amplamente associada à pobreza e se tornou exemplo mundial em obras de infraestrutura construídas em ritmo acelerado e com alcance amplo. Um dos símbolos dessa transformação é o trem de levitação magnética de Xangai, que não toca os trilhos e chega a velocidades superiores a 400 km/h, ligando aeroportos ao centro urbano em poucos minutos.

A reportagem da série “Entre Dois Mundos”, exibida no programa Fantástico, mostra como aeroportos, linhas de metrô e estações ferroviárias têm sido erguidos rapidamente e muitas vezes reproduzidos em diferentes regiões com padrões semelhantes, como peças padronizadas de um sistema maior. O vídeo que acompanha a série ilustra a comparação entre Xangai e cidades como Nova York.

Especialistas citados no material apontam que a base desse avanço está em três pilares: velocidade, escala e planejamento. A continuidade política — com o mesmo grupo no poder por décadas — permite planejar e executar projetos de longo prazo sem as interrupções comuns em democracias, onde alternância de governo e disputas políticas tendem a retardar decisões estratégicas.

A dimensão dos empreendimentos também é determinante: obras pensadas para atender milhões de pessoas e replicadas em variadas cidades permitem reduzir custos por unidade. Na prática, isso contribui para que obras complexas sejam concluídas em poucos anos com orçamentos inferiores aos de projetos semelhantes em países ocidentais.

Além da rapidez e da escala, o uso intensivo de dados vem sendo incorporado ao planejamento urbano chinês. Informações sobre deslocamento, consumo e comportamento da população ajudam autoridades a definir onde investir e como expandir a infraestrutura, tratando as cidades como sistemas em constante adaptação.

O modelo, porém, levanta questionamentos. A execução veloz costuma ser acompanhada por decisões centralizadas que, em alguns casos, implicam na realocação de moradores para viabilizar novos projetos. Famílias podem ser transferidas para áreas mais distantes e receber compensações financeiras ou novos imóveis, processos que nem sempre ocorrem sem resistência. Especialistas descrevem esse dilema como o custo da capacidade de transformar rapidamente o espaço urbano, em contraste com sistemas mais participativos que enfrentam maior lentidão e custos elevados.

Hoje, metrópoles como Xangai exibem arranha-céus e sistemas de transporte modernos que representam esse modelo de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que alimentam o debate sobre como conciliar eficiência, custo e participação social no futuro das cidades — uma questão que também está no centro da disputa global por influência entre China e Estados Unidos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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