Uma reportagem do Globo Repórter exibida em 28 de setembro de 2026 aponta que as gírias acompanham mudanças sociais e tecnológicas e têm se renovado com mais rapidez nas últimas décadas. A repórter Graziela Azevedo ressalta que termos que foram modernos em um período chegam a ficar fora de uso rapidamente, à medida que surgem novas expressões entre adolescentes.
Origem e circulação das novas gírias
Os pesquisadores ouvidos explicam que a velocidade de circulação aumentou com a internet e as redes sociais: o alcance imediato das plataformas faz com que uma expressão se espalhe muito mais rápido do que nas décadas anteriores.
A linguista e psicóloga Paloma Garcia, autora de um dicionário digital sobre a linguagem adolescente, define gírias como sinais de identificação de um grupo: “Uma gíria é uma senha de pertencimento de um grupo. É uma senha de entrada no território de um grupo”, disse ela. Segundo Paloma, enquanto gírias de gerações como os baby boomers podiam permanecer em uso por cerca de uma década, hoje muitas aparecem e desaparecem em poucos meses. Ela observa também que, quando a geração dos pais adota uma expressão, ela tende a perder sua função de distinção.
Além das palavras, a reportagem destaca que os códigos geracionais englobam memes, coreografias, referências compartilhadas e abreviações. Um exemplo apontado por jovens é a redução de “miga” para “mi”, mostrando como a linguagem se ajusta constantemente.
A comparação com produções televisivas dos anos 1990 ilustra a mudança do vocabulário: termos como “mauricinho” e “rala peito” aparecem com frequência em cenas da época, evidenciando a transformação do léxico jovem ao longo das décadas.
Para os especialistas consultados, a alteração contínua no repertório linguístico é um processo natural: as gírias mudam, mas mantêm a função de marcar identidade e diferenciação entre gerações.
Com informações de G1




