Entre as provas está uma apresentação interna do próprio Master, localizada no acervo digital entregue ao órgão liquidante do banco e apreendida na Operação Compliance Zero. O material, intitulado “Investigações internas – Banco Master”, descreve um fluxo que vai da extração de dados de clientes até a geração, assinatura e envio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento.
Outra prática relatada foi a remoção de data e horário de termos de consentimento. Em uma troca reproduzida, Allan envia um documento a Moacir Lourenço da Silva Junior, da área de tecnologia, com a orientação: “Precisamos excluir a data.” A PF destaca, por exemplo, um caso em que o documento registrava 21 de janeiro de 2025, mas a assinatura eletrônica só ocorreu em 20 de junho de 2025, o que sugeriria produção posterior do arquivo para respaldar operações.
O relatório também descreve pressão sobre respostas a auditoria externa. Após cobranças da Deloitte sobre divergências na documentação, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar consultou o diretor Alberto Felix de Oliveira Neto sobre como responder; Alberto orientou que as divergências fossem atribuídas a “erro operacional”. A PF registra a conversa como tentativa de encaminhar justificativa às auditorias.
Ao analisar as operações em conjunto, a perícia da PF avaliou R$ 47,78 bilhões em transações entre Master e BRB, das quais R$ 31,74 bilhões corresponderiam a vendas de carteiras pelo Master ao banco público. Os peritos identificaram padrões repetidos: pagamentos antes da conclusão das análises técnicas, pareceres finalizados após liberação de recursos, compras fracionadas para reduzir limites de decisão, concentração excessiva de negócios e continuidade dos pagamentos mesmo após alertas sobre problemas nas carteiras.
Com base nessa sequência de práticas, a perícia concluiu que havia elementos técnicos e documentais suficientes para qualificar o processo de compra das carteiras como “gestão fraudulenta”, destacando que a recorrente utilização de métodos para contornar controles internos configuraria mais do que risco ou gestão temerária.
As apurações seguem com o cruzamento de mensagens, arquivos e a análise das operações financeiras para determinar responsabilidades e o alcance das irregularidades apontadas pela Polícia Federal.
Com informações de G1




