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sábado, novembro 7, 2026

Condomínios ficam mais caros que a inflação e podem consumir até 40% do aluguel

Condomínios no Brasil registram alta de custos acima da inflação e passam a representar parcela elevada do custo de moradia

As despesas condominiais no país cresceram nos últimos anos e, em muitos casos, chegam a representar até 40% do valor do aluguel. Segundo o Censo Condominial 2025/2026 da plataforma uCondo, o valor médio do condomínio é de R$ 516 por mês. Estima-se que ao menos 40 milhões de pessoas vivam em condomínios no Brasil.

Entre 2022 e 2025, a inflação condominial acumulada foi de 25%, acima da variação média do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período, aponta o estudo. A uCondo relaciona esse aumento a custos operacionais mais elevados e a uma gestão que amplia serviços para valorizar os empreendimentos.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, destaca mudanças no perfil dos lançamentos, com “toda uma área de lazer dentro dos condomínios, especialmente nos casos de apartamentos menores”. Outros fatores mencionados incluem a escassez de mão de obra, que eleva gastos com pessoal, e custos de manutenção de elevadores.

O levantamento também aponta novas despesas recorrentes, como a instalação de equipamentos para recarga de carros elétricos e a ampliação de áreas dedicadas a animais de estimação, presentes em mais de 53% dos lares. Comparado a outros países, o gasto condominial no Brasil se diferencia pela quantidade de serviços e instalações, como portarias 24 horas e câmeras internas.

O aumento das taxas impacta a saúde financeira de moradores e condomínios. A inadimplência no setor subiu de 9,72% no primeiro semestre de 2022 para 11,95% no mesmo período de 2025, na avaliação do censo. O maior índice por estado foi registrado no Rio Grande do Norte, com 32,83%.

Leonardo Mack, diretor de operações da uCondo, observa que a inadimplência atingiu diferentes perfis e que, em alguns casos, moradores de prédios de classe A migraram para prédios de classe B para ajustar despesas ao orçamento. Mack lembra que, em situações de não pagamento, “a dívida não fica no CPF, vai para o imóvel”, e que o débito pode levar ao leilão da unidade para quitação das pendências.

Historicamente, gestões amadoras geravam cobranças extras frequentes e pouco transparentes. Moradores relatam casos de obras e custos incorporados de forma permanente sem clareza sobre valores. Esse quadro tem impulsionado a contratação de administradoras e a profissionalização da gestão, o que, embora reduza práticas informais, pode elevar a taxa mensal.

Como alternativa para reduzir gastos, alguns condomínios substituem porteiros por sistemas eletrônicos: mais de 14 mil prédios adotaram essa mudança. A medida motivou uma sessão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 2025 que incluiu cláusula prevendo o pagamento de dez pisos do salário da categoria aos profissionais demitidos por causa da automatização.

No plano legislativo, um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo, de autoria do deputado Márcio Nakashima, propõe restringir a implantação de portaria virtual em condomínios com mais de 30 unidades, citando risco de perda de vagas de trabalho e problemas de segurança e acesso em casos de falta de luz ou internet.

Moradores entrevistados relatam decisões influenciadas pelo custo do condomínio: Hector Corrêa, morador de São Paulo, desistiu de financiar outro apartamento ao perceber que as parcelas somadas ao condomínio ficariam mais caras que o aluguel atual; hoje ele paga cerca de 10% do aluguel em taxas, enquanto em outros prédios o percentual poderia chegar a 40%. Carolina Guilarducci, que vive em imóvel da família, diz que, apesar do condomínio alto, a situação é suportável por não pagar aluguel, mas que buscaria outra opção se não fosse caso de família.

O tema segue em destaque à medida que condomínios profissionalizam gestão, ampliam serviços e enfrentam desafios como inadimplência e custos de modernização.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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