Impacto imediato no custo de produção
Produtores rurais do interior de São Paulo estão em alerta após a escalada do conflito no Oriente Médio, cujos efeitos já se refletem no mercado de insumos agrícolas. A suspensão das vendas de fertilizantes pela Rússia — que fornece cerca de 25% desse insumo no mercado mundial —, somada a medidas similares da China, tem pressionado os preços no Brasil.
Fontes do setor apontam aumento nos valores do diesel e dos fertilizantes, dois itens considerados essenciais para a atividade agrícola. O encarecimento desses itens tem impacto direto no custo de produção, com destaque para o setor sucroenergético.
De acordo com Júlio Cesar Moreira, gerente executivo da Associação dos Plantadores de Cana (Aplacana) da região de Monte Aprazível (SP), o diesel representa entre 30% e 35% dos custos de produção e teve aumento na faixa de 20% a 25%. Os fertilizantes, por sua vez, registraram elevação em torno de 20%, além do aumento do custo do frete, segundo o dirigente.
Diante do cenário, produtores têm buscado medidas para conter a alta dos gastos. Entre as alternativas adotadas estão a utilização de insumos orgânicos e a restrição das operações apenas ao que é essencial para a safra, com o objetivo de reduzir consumo e despesas imediatas.
Apesar das ações locais para mitigar os impactos, Moreira ressaltou que, mesmo se as restrições comerciais internacionais forem revertidas, os efeitos no bolso do produtor devem demorar a se dissipar. A depender da dinâmica do mercado global, a normalização nos preços pode levar tempo até se refletir na ponta da cadeia produtiva.

A reportagem foi veiculada no programa em 29/03/2026 e registra a preocupação de cooperativas e associações rurais com a continuidade da alta nos custos, que afeta planejamento e margem dos produtores.
Com informações de G1




