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sábado, outubro 24, 2026

Conflito no Oriente Médio eleva riscos ao mercado brasileiro de carne de frango, diz USP

USP aponta efeitos do conflito entre EUA e Irã sobre exportações e mercado interno

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da USP em Piracicaba (SP), alertam para possíveis impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre a cadeia produtiva da carne de frango no Brasil. Em boletim divulgado na sexta-feira (6), o centro reúne relatos de avicultores que indicam a intenção de redirecionar cargas a outros destinos diante das incertezas na região.

O Cepea lembra que, em 2025, o Oriente Médio foi responsável por 25% das exportações brasileiras de carne de frango. Países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita aparecem entre os principais compradores: segundo dados do Ministério da Economia (Secex), mais de 877 mil toneladas da proteína foram embarcadas para esses dois mercados no ano passado, tornando-os o primeiro e o terceiro maiores destinos, respectivamente.

De acordo com relatos coletados pelo Cepea, a suspensão ou redução das vendas para a região poderia levar os exportadores a concentrar parte do volume no mercado doméstico. No entanto, especialistas do centro pontuam que essa alternativa enfrenta barreiras práticas. Entre os obstáculos citados estão a necessidade de adequação de embalagens e etiquetas, além de exigências logísticas, legais e fitossanitárias que acompanham o comércio exterior.

O boletim também destaca que países vizinhos já foram afetados pelo conflito, citando Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano. O Cepea registrou, ainda, que o Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz na segunda-feira (2), rota marítima estratégica para o comércio com parte da Península Arábica, o que pode complicar a logística de exportação.

Economistas consultados pelo grupo alertam que a escalada do confronto pode pressionar os preços dos alimentos no Brasil nos próximos meses, já que alguns custos da produção agrícola tiveram alta em menos de uma semana após o início da guerra.

O boletim do Cepea traz também informações sobre a situação do produtor paulista: fevereiro de 2026 marcou o quarto mês seguido de retração do poder de compra do avicultor frente ao milho e ao farelo de soja. Os preços do frango vivo caíram ao longo do período e, até 25 de fevereiro (três dias antes do conflito entre Estados Unidos e Irã), o valor real do frango atingiu o menor patamar desde maio de 2024 na série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No estado de São Paulo, a média do frango vivo foi de R$ 5,04 por quilo até 25 de fevereiro, queda de 2,1% em relação a janeiro. Os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis e o farelo de soja registra pequeno avanço.

O documento do Cepea reforça que a combinação entre incertezas externas e condições de mercado doméstico coloca desafios imediatos para a avicultura brasileira.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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