O prolongamento do conflito no Oriente Médio pode afetar a comercialização do milho no Triângulo Mineiro e elevar custos de produção, segundo avaliação de especialistas em gestão de riscos de grãos. Conrado Zanon, CEO da consultoria Geminare, aponta que o Irã é um comprador relevante do milho brasileiro e que a instabilidade na região pode repercutir no mercado doméstico.
Em 2024, o Irã importou 9 milhões de toneladas de milho do Brasil, o equivalente a 23,1% das exportações brasileiras do produto, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (Mdic). Na relação comercial entre os dois países, o Brasil faturou cerca de 2 bilhões de dólares somente com esse insumo no ano passado.
Segundo Zanon, nos últimos cinco anos o Irã figurou entre os três maiores compradores do milho brasileiro em quatro ocasiões, ficando em quinto lugar apenas em 2023. Em média, o país tem representado o consumo de 14% das exportações brasileiras de milho nesse período.
O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba produzem entre 2,4 e 2,7 milhões de toneladas de milho por ano, o que corresponde a aproximadamente 40% da produção de Minas Gerais. Ainda que a maior parte da produção da região seja destinada ao mercado interno, especialistas alertam para efeitos indiretos caso o conflito reduza as vendas externas brasileiras.
Estados como Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul respondem por mais de 80% das exportações nacionais de milho. A saída de um comprador importante como o Irã poderia aumentar a oferta interna de milho no Brasil, pressionando os preços para baixo e afetando economicamente produtores do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba.
Conflito no Oriente Médio e fertilizantes: dupla influência
Outro canal de impacto relaciona-se ao transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz. Zanon alerta que o corredor movimenta entre 50 e 60 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, o que corresponde a cerca de 33% do comércio mundial de amônia, ureia/nitrogenados, enxofre e fosfatados. O fechamento ou restrição do trânsito nessa rota pode dificultar o acesso a insumos no Brasil e, ao mesmo tempo, influenciar decisões de plantio em outros países.
O executivo observa que produtores nos Estados Unidos, ao definirem a área a ser plantada, podem optar por reduzir a área de milho — que demanda mais fertilizantes — em favor da soja, caso haja escassez ou elevação de preços dos insumos. Essa possível diminuição na oferta americana de milho tenderia a favorecer o Brasil na disputa por mercados internacionais e, segundo Zanon, o conjunto desses fatores tem potencial de pressionar os preços para cima no cenário externo.
O desdobramento efetivo dependerá da duração e da intensidade do conflito, bem como das condições do comércio internacional e do mercado de fertilizantes.
Com informações de Paranaibamais




