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sábado, outubro 24, 2026

Conflito no Oriente Médio pode elevar custo dos alimentos no Brasil, dizem economistas

Guerra no Oriente Médio e impactos no custo de produção agrícola

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no 5º dia e já começa a pressionar custos da cadeia agroalimentar brasileira, segundo economistas ouvidos. Especialistas apontam alta em fertilizantes, aumento do frete marítimo e elevação no preço do diesel como os principais vetores que podem, nos próximos meses, refletir em preços mais altos para o consumidor no Brasil.

Fertilizantes: o país é dependente de insumos importados e parte significativa da matéria‑prima vem do Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das de amônia, segundo Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil. Após o início do conflito, as cotações tiveram alta imediata — em mercados como o brasileiro e o do Oriente Médio os preços subiram entre 10% e 12% em apenas um dia. O contrato futuro de ureia para março no Brasil aumentou US$ 39 entre 2 e 3 de março.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) apontou, em 2025, que o Oriente Médio foi a quarta maior região fornecedora de fertilizantes ao Brasil, atrás da Europa, Ásia e África. Em ranking por países, Rússia lidera, seguida por China e Canadá; entre as nações do Oriente Médio, Arábia Saudita aparece em 6º, Israel em 8º, Omã em 9º, Catar em 11º e Irã em 22º.

Transporte marítimo e logística: o Irã fechou o Estreito de Ormuz, rota essencial para exportações de petróleo e também usada para transporte de fertilizantes. O bloqueio não interrompe automaticamente as vendas, mas impõe desvios de rotas, aumento do frete, maior custo de seguro e elevação de despesas com contêineres, alerta Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global. Esses custos adicionais atingem não só bens destinados ao Oriente Médio, mas pressionam cotações globais devido à interconexão dos mercados, segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.

Diesel e custo operacional: a região é importante fornecedora de petróleo, o que pode encarecer o diesel. O aumento do combustível eleva o custo de operação de maquinário no campo e o transporte por caminhão, afetando etapas como a colheita e o escoamento. Apesar disso, Serigati ressalta que o cenário difere da fase inicial da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando havia escassez; atualmente o mercado global opera com excesso de oferta, o que pode amenizar parte da turbulência.

Momentos da safra e prazos: no Brasil, muitos fertilizantes usados nesta safra já foram adquiridos, por isso os efeitos mais diretos podem atingir safras plantadas a partir do segundo semestre, conforme Paulo Pavinato, da ESALQ/USP. Produtos fosfatados e potássicos para soja costumam ser comprados entre maio e julho; adubos nitrogenados, como ureia, têm pico de demanda em novembro, dezembro e janeiro para recompor estoques para o milho. Nos Estados Unidos, produtores ainda fazem compras e podem ser impactados imediatamente.

Exportações brasileiras: o conflito também tem reflexo nas vendas externas. Países do Oriente Médio podem ter dificuldade para receber proteína animal e açúcar. Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), já há carnes “na água”: em janeiro Emirados Árabes compraram 44 mil toneladas e a Arábia Saudita 33 mil toneladas, com contêineres redirecionados e aumento de custos por taxas de guerra e necessidade de refrigeração. A Abiec informou que a região responde por cerca de 10% das exportações de carne do Brasil e que entre 30% e 40% dos embarques podem transitar pelo Oriente Médio antes de chegar a mercados do Sudeste Asiático e China, o que preocupa exportadores.

Para Leandro Gilio, o impacto sobre o produtor é imediato, mas o repasse ao consumidor deve ocorrer ao longo de meses, dependendo da duração do conflito. Felippe Serigati acrescenta que fatores como a queda do dólar desde o início do ano e o clima favorável podem atenuar, em parte, a pressão sobre os preços no varejo.

O Irã ocupou, em 2025, a 11ª posição entre os destinos do agro brasileiro, tendo sido o maior comprador de milho naquele ano; embarques para o país costumam ocorrer a partir de junho, segundo Luiz Fernando Roque, da consultoria Hedgepoint.

O desfecho dos efeitos dependerá principalmente da evolução do conflito e do tempo em que as interrupções comerciais e logísticas persistirem, dizem os especialistas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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