Superávit primário em julho e alta da dívida
As contas do setor público consolidado registraram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central nesta segunda-feira (31). O resultado primário considera apenas a diferença entre receitas e despesas do governo, sem incluir o pagamento de juros da dívida.
Na comparação com julho do ano passado houve melhora: em 2025 o mês havia fechado com saldo negativo de R$ 66,6 bilhões, impacto relacionado ao pagamento de precatórios. Apesar do superávit em julho, o endividamento do setor público continuou em alta e alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês.
O desempenho por esfera em julho foi o seguinte: o governo federal teve saldo positivo de R$ 11 bilhões; estados e municípios apresentaram déficit de R$ 8,5 bilhões; e as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,1 bilhão.
Acumulado no ano e meta fiscal
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, as contas públicas exibiram déficit primário de R$ 78,8 bilhões, o equivalente a 1% do PIB, segundo os dados oficiais. Esse resultado representa piora em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor público registrou déficit de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB).
Somente o governo federal acumulou déficit de R$ 82,4 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, ante R$ 66,7 bilhões no mesmo intervalo de 2025. Para o ano, a meta fiscal é de déficit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal aprovado em 2023 admite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual: assim, a meta será considerada atendida caso o governo apresente saldo zero ou chegue a superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto do arcabouço também autoriza que o governo exclua R$ 63,5 bilhões em despesas desse cálculo, recursos que podem ser destinados, por exemplo, ao pagamento de precatórios.
Resultado nominal e despesas com juros
Quando se incluem os juros da dívida na conta — o chamado resultado nominal, usado para comparações internacionais — o setor público teve déficit de R$ 97,6 bilhões em julho. No acumulado dos 12 meses até julho, o resultado nominal mostrou déficit de R$ 1,24 trilhão, ou 9,34% do PIB.
O Banco Central informou que as despesas com juros nominais somaram R$ 1,15 trilhão nos doze meses até julho, equivalente a 8,67% do PIB. O resultado nominal é afetado pelo desempenho mensal das contas, pelas intervenções do BC no câmbio e pela taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14% ao ano.
As informações oficiais foram divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (31).
Com informações de G1




