A política de venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, tem sido alvo de críticas por alterações que impactam diretamente torcedores com deficiência, segundo entidades de inclusão e grupos de defesa dos direitos dessas pessoas.
O principal ponto de contestação é o fim da gratuidade para acompanhantes de torcedores com deficiência. Ao contrário de edições anteriores, agora acompanhantes precisam comprar ingressos separados, o que eleva substancialmente o custo para quem depende de assistência durante as partidas.
Outra mudança contestada refere-se à localização dos assentos acessíveis: não há disponibilidade dessas cadeiras nas categorias de ingressos mais baratas. Com isso, pessoas com mobilidade reduzida passam a ter acesso apenas a setores mais caros dos estádios, conforme reportagens internacionais. Os valores para esses lugares, nas partidas da fase de grupos, variam entre US$ 140 e US$ 450, montantes considerados superiores aos praticados na Copa do Catar, em 2022.
Levantamentos de veículos do exterior mostram que, em alguns casos, o aumento de custos para torcedores com deficiência e seus acompanhantes chega a 4.900% em comparação com a edição anterior do torneio. Organizações ligadas à acessibilidade classificaram a situação como retrocesso nas políticas de inclusão no futebol.
Além do impacto financeiro, torcedores relataram dificuldades para obter ingressos destinados a acompanhantes, falhas no sistema de vendas e ausência de garantia de que os assentos de apoio fiquem ao lado da pessoa assistida. As reclamações cresceram especialmente em estádios localizados nos Estados Unidos e no Canadá.
As controvérsias sobre os ingressos ocorrem em um contexto mais amplo de críticas à política comercial da Copa de 2026. Nas últimas semanas, a FIFA passou a ser questionada pelos altos preços aplicados em diferentes categorias de ingressos, pela criação de novos setores premium e pela rápida valorização das entradas no mercado oficial de revenda.
Entidades de defesa da inclusão afirmam que acessibilidade vai além da existência de espaços adaptados: defendem que é preciso garantir condições reais para a participação de pessoas com deficiência, sem barreiras financeiras ou estruturais.
A FIFA, por sua vez, diz que o modelo de ingressos segue as regras dos países-sede e busca atender perfis variados de público, enquanto a pressão de organizações internacionais aumenta a poucos meses do início do torneio.
Com informações de Revistasoberana




