30.6 C
Uberlândia
sexta-feira, novembro 6, 2026

Correios registram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no 1º semestre de 2026 e negociam empréstimo de R$ 7 bilhões

Rio de Janeiro, 29 de agosto de 2026 — A Empresa de Correios e Telégrafos informou, neste sábado (29), que encerrou o primeiro semestre de 2026 com um prejuízo de R$ 5,6 bilhões, completando o 16º trimestre consecutivo com déficit em suas contas.

Nos documentos contábeis referentes ao período, a estatal apontou que o resultado do segundo trimestre mostrou melhora em relação aos últimos dois trimestres — 1º trimestre de 2026 e 4º trimestre de 2025 — após ter registrado perda recorde no início do ano.

Empréstimo e aporte da União

Nas notas explicativas às demonstrações financeiras, os Correios comunicaram que estão em “estágio avançado” de estruturação de uma nova operação de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões. A empresa não detalhou as condições do contrato, mas afirmou que a União atuará como fiadora em caso de inadimplência.

Também foi reafirmado o compromisso do Governo Federal de realizar aporte de capital de R$ 6 bilhões até o final de 2027, destinado ao fortalecimento econômico-financeiro e patrimonial da estatal.

Reapresentação de saldos e variação de receitas e despesas

As demonstrações de 2026 reapresentaram saldos relativos a 2025 após apuração detalhada, reduzindo o prejuízo do primeiro semestre de 2025 de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,3 bilhões.

Os Correios registraram que as receitas até 30 de junho de 2026 caíram R$ 320 milhões em relação ao mesmo período de 2025, enquanto os dispêndios aumentaram R$ 972 milhões. Nos quadros divulgados constam receitas de R$ 7,87 bilhões em 2025 e R$ 8,19 bilhões em 2026; e despesas de R$ 13,4 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026.

Desempenho por segmento

Houve avanço na receita de serviços de logística prestados a empresas, que subiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. Já as encomendas internacionais recuaram, respondendo por apenas R$ 355 milhões no semestre e representando 4,3% do total, ante 22,2% anteriormente. A queda acompanha a vigência do programa Remessa Conforme, criado em 2023, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — medida popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Mesmo com o fim dessa cobrança, o Remessa Conforme manteve impacto sobre as receitas.

Despesas e provisões

Os gastos com salários apresentaram pequena queda de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 5,2 bilhões — valor 15% inferior ao previsto. Reduções vinculadas a essa rubrica, como planos de saúde e previdência, somaram R$ 260 milhões a menos que em 2025.

Por outro lado, as despesas financeiras cresceram 161%, de R$ 673 milhões para R$ 1,7 bilhão, com aumento de R$ 775 milhões somente no segundo trimestre e queda de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre. Nessas despesas estão juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, inclusive a operação de R$ 12 bilhões contratada no fim do ano passado, cuja vigência prevê R$ 22,4 bilhões em despesas com juros.

As provisões e perdas também permaneceram elevadas, com aumento iniciado no primeiro trimestre responsável por R$ 1,1 bilhão. Até junho, essa conta totalizou R$ 1,3 bilhão.

Parte das medidas adotadas para enfrentar a crise inclui a abertura de novo programa de demissão voluntária (PDV), que teve baixa adesão entre os funcionários.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também