Uma criança de um ano deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Uberaba, no Triângulo Mineiro, na madrugada de domingo (13), com dificuldade para respirar e sinais de agressão pelo corpo. Conforme o registro policial, os profissionais identificaram hematomas na cabeça, tórax, abdome, costas e pés, além de uma lesão no tórax compatível com queimadura.
A menina passou por manobras de reanimação, foi intubada e, em seguida, transferida para o Hospital de Clínicas de Uberaba. Segundo o atendimento médico descrito na ocorrência, ela estava em estado gravíssimo.
De acordo com o boletim, a mãe chegou à UPA por volta de 1h acompanhada do companheiro, que é padrasto da criança. Inicialmente, ela relatou que a filha havia se engasgado após ingerir leite. A equipe médica observou resposta inadequada a estímulos e dificuldade respiratória, começou procedimentos de desengasgo e forneceu suporte de oxigênio.
Durante a avaliação, os profissionais encontraram hematomas em diversas regiões do corpo, inclusive na parte posterior dos pés, e uma lesão no tórax avaliada como compatível com queimadura. Diante da piora do quadro, foi acionada uma equipe de atendimento pré-hospitalar para auxiliar na transferência.
Foram realizadas intubação orotraqueal e reanimação cardiopulmonar; os sinais vitais chegaram a se estabilizar, mas antes do deslocamento para o hospital a criança sofreu nova parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada outra vez.
No Hospital de Clínicas, a criança permaneceu intubada em estado gravíssimo. Profissionais de saúde relataram suspeitas de fratura de costela, traumatismo cranioencefálico e possíveis lesões por queimadura de cigarro, mas exames complementares ainda eram necessários para confirmação.
Ao longo do atendimento, a mãe apresentou versões distintas sobre a origem dos ferimentos: primeiro disse que a menina havia se engasgado com leite e, depois, afirmou que ela teria caído do berço. A equipe policial foi até a residência e avaliou que as características do berço e a condição da criança eram incompatíveis com a hipótese de queda naquele móvel.
O padrasto havia saído da UPA após a mãe e a criança permanecerem na unidade, retornando horas depois, quando foi abordado pelos policiais. Ele alegou inicialmente que havia voltado para casa por estar sem camisa e não pretendia ficar na UPA nessa condição; depois disse que voltou de carona. No veículo deixado na residência os policiais encontraram duas camisetas masculinas e uma mochila com roupas e fraldas da criança.
Segundo o registro, o homem primeiro disse não saber o que havia ocorrido e que não pegava a criança, e depois afirmou que ela teria se engasgado ao ingerir leite. O médico que atendeu informou aos policiais que, após as tentativas de desengasgo, não foi encontrada obstrução das vias aéreas por líquido.
O Conselho Tutelar foi acionado, mas nenhum representante compareceu à UPA no momento; posteriormente, uma funcionária informou por telefone que as providências seriam tomadas no dia seguinte. Diante das lesões, das versões divergentes dos responsáveis e das informações médicas, a mãe e o padrasto foram presos e conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de plantão, que passou a conduzir a investigação.
A apuração deverá esclarecer as circunstâncias que provocaram as lesões e levaram a criança ao estado gravíssimo. Até a publicação desta matéria não havia novo boletim médico divulgado sobre a condição da menina nem informação sobre sua continuidade de internação.
Com informações de Uberlandianofoco




