Escalada de tensões no Golfo pode pressionar cadeia logística e tarifas de energia
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio já tem repercussões no comércio internacional e representa risco de impacto direto sobre a economia de Minas Gerais. O aumento do risco geopolítico no Golfo Pérsico pode encarecer o transporte marítimo, pressionar o preço do petróleo e elevar custos de energia e logística para o setor industrial do estado.
O principal ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Mesmo sem um bloqueio formal da rota, armadores passaram a adotar medidas cautelares, como redução do número de navios na região, aumento do chamado “war risk” (seguro de guerra) e revisão de rotas marítimas.
A tendência de alta nos preços internacionais do petróleo é apontada como provável, embora a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de aumentar a produção a partir de abril de 2026 possa atenuar parte dos efeitos.
Levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que o Brasil mantém relação comercial relevante com países do Golfo e do Oriente Médio. Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras para essa região somaram US$ 73,84 bilhões, o equivalente a 4,5% do total exportado pelo país no período, com predominância de carnes, açúcar, milho, soja e minério de ferro. No mesmo intervalo, as importações do Brasil originadas na região totalizaram US$ 42,87 bilhões (3,3% do total), com destaque para combustíveis minerais e fertilizantes provenientes de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã.
Em Minas Gerais, o fluxo comercial com Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Bahrein, Iraque, Irã, Catar, Israel, Kuwait, Líbano e Síria atingiu US$ 13,85 bilhões em exportações entre 2021 e 2025, representando 6,7% das exportações do estado. As importações desse conjunto de países somaram cerca de US$ 1,64 bilhão (2% do total), com destaque para insumos industriais e agrícolas, como enxofre e fertilizantes.
No recorte específico do Irã, Minas registrou US$ 610,7 milhões em exportações no período, com soja respondendo por 75,4% e milho por 14,6%, enquanto as importações do estado para o Irã foram de aproximadamente US$ 2,6 milhões.
Para a indústria mineira, os efeitos imediatos devem se materializar em aumento dos custos logísticos, elevação dos seguros marítimos e ampliação do tempo de transporte das cargas. A eventual alta do petróleo tende a pressionar tarifas de energia e preços de combustíveis, impactando setores que vão da siderurgia ao agronegócio.
A instabilidade também afeta o transporte aéreo internacional: companhias evitam determinados espaços aéreos e hubs da região, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, o que tem provocado cancelamentos e retenção de passageiros em conexões na Ásia e pode prejudicar cadeias logísticas e financeiras utilizadas no comércio exterior.
“O cenário internacional exige atenção permanente. O aumento do risco já afeta seguros, fretes e expectativas de preços. Para Minas Gerais, isso pode significar maior custo logístico nas exportações e pressão sobre energia e combustíveis, fatores que impactam diretamente a competitividade da indústria”, afirmou o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Com informações de Paranaibamais




