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quarta-feira, novembro 4, 2026

Crise no Ueno leva à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai

Assunção, 3 de novembro de 2026 — Uma investigação sobre a situação financeira do banco digital Ueno e as medidas adotadas pelas autoridades provocaram a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central do Paraguai nesta terça-feira. A instituição, que atende cerca de 3 milhões de clientes e é a maior emissora de cartões de crédito do país, passou a ser alvo de apurações após suas demonstrações terem sofrido ajustes que reduziram o índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido.

Diante do quadro, o Banco Central iniciou um procedimento destinado a proteger depositantes e a limitar efeitos negativos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público pediu a instauração de investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco. Nos meses anteriores, o Ueno já estava sob fiscalização mais intensa por órgãos reguladores.

Autoridades investigavam se o banco teria financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos pertencente a uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno; a instituição negou ter realizado essa operação. O caso também pressionou os mercados: títulos em dólar do banco com vencimento em 2031 e os papéis da dívida do Paraguai apresentaram diminuição de preço em reação às notícias.

O episódio ampliou a pressão política sobre o governo do presidente Santiago Peña. Peña pediu a renúncia de Carvallo e tem sofrido desgaste, em parte por sua ligação prévia com o grupo controlador do Ueno — o presidente foi sócio do conglomerado até março de 2025. Carvallo havia comandado o próprio Ueno até agosto de 2023 e vinha sendo criticado por parlamentares pela supervisão da instituição.

O Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos no país. Nesta terça, clientes encontraram agências fechadas, incluindo aposentados que recebem benefícios por meio do banco. Manuel Cáceres, morador de Ñemby, disse à agência Reuters que os correntistas estavam exigindo acesso aos fundos e que muitos passaram a manhã sem conseguir movimentar suas contas.

Para assegurar pagamentos a depositantes, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do Paraguai. Segundo o presidente, a proposta visa também garantir a devolução de recursos públicos, entre eles valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos de pensão públicos.

O Banco Central afirmou que o caso do Ueno é isolado e não representa um problema sistêmico para o setor financeiro. A Superintendência de Bancos foi instruída a nomear auditores para examinar a situação dos ativos do Ueno. Carvallo declarou que permaneceria no cargo durante os procedimentos, mas anunciou a saída para reduzir a controvérsia em torno da autoridade monetária, permitindo que o Banco Central e a Superintendência trabalhassem sem as disputas políticas e a repercussão na imprensa. Parlamentares já haviam rejeitado anteriormente um relatório sobre o banco por considerá-lo incompleto.

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno cresceu rapidamente de uma fintech de nicho para um banco de médio porte, em trajetória comparada a plataformas digitais internacionais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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