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terça-feira, outubro 20, 2026

Crises políticas travam crescimento do Peru e transformam economia em “modo zumbi” antes das eleições

TRANSMISSÃO: Record | Band

Instabilidade política reduz potencial econômico do Peru às vésperas da votação

O Peru, que escolhe novo presidente e Congresso neste domingo (12), vê sua economia perder fôlego em meio a sucessivas crises políticas. Apesar de décadas de políticas macroeconômicas que mantiveram contas públicas equilibradas, atraíram investimentos e estabilizaram o sol, especialistas afirmam que o país opera hoje em um “modo zumbi”, incapaz de explorar plenamente seu potencial de crescimento.

Economistas consultados pela BBC News Mundo, como Armando Mendoza, do Centro Peruano de Estudos Sociais, e Diego Macera, do Instituto Peruano de Economia e integrante da diretoria do Banco Central de Reserva do Peru (BCRP), apontam que a contínua rotatividade de presidentes e ministros tem impedido a formulação de políticas econômicas sustentadas. Desde 2018, após a renúncia do então presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK), o país teve oito presidentes. O atual chefe do Executivo, José María Balcázar, assumiu pelo Congresso em 18 de fevereiro e deve deixar o cargo em julho.

Os especialistas ressaltam que a autonomia do BCRP e a disciplina fiscal ajudaram a preservar a estabilidade monetária e a atrair capitais, mas alertam para custos significativos. Nas duas primeiras décadas do século 21, o Produto Interno Bruto (PIB) peruano cresceu cerca de 4% ao ano, com picos acima de 10% em anos isolados. No entanto, desde 2018 o ritmo desacelerou e, desconsiderando o período da pandemia, o crescimento médio tem sido próximo de 2,3% desde 2022, bem abaixo do potencial estimado, que poderia situar-se entre 5% e 6% com políticas contínuas, segundo Mendoza.

A perda de oportunidades também é atribuída à baixa previsibilidade dos governos. Macera afirma que, com os preços internacionais elevados do ouro e do cobre, o país poderia ter crescido mais de 4,5% se houvesse maior previsibilidade e competência das administrações. Em 2023, ano marcado pela destituição e prisão do ex-presidente Pedro Castillo e por intensos protestos, a economia recuou 0,55%, evidenciando o impacto direto dos choques políticos.

O desempenho social também sofreu. Em 2019, 20% da população vivia na pobreza; em 2024 esse índice subiu para 27,6%. A renda formal real em 2024 ainda não retornou aos níveis de 2019, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Informática do Peru.

A persistente instabilidade dificultou grandes investimentos, especialmente na mineração, que exige planejamento de longo prazo. A rotatividade ministerial agrava a incerteza: ministros da Economia têm permanecido, em média, sete ou oito meses no cargo. Há ainda preocupação com a captura de segmentos do Estado por organizações criminosas e com a mineração ilegal, estimada em cerca de US$ 11,5 bilhões em exportações ilegais de ouro no ano passado, número comparável ao exportado pela agroindústria em 2014.

O cenário externo também pode influenciar o país: a guerra no Oriente Médio elevou preços do petróleo e pode provocar uma desaceleração global. O BCRP projeta crescimento do PIB peruano em cerca de 2,9% para este ano, o que, se confirmado, colocaria o Peru entre as economias com maior crescimento na América Latina. Outro ponto relevante para a manutenção da estabilidade macroeconômica será a composição da diretoria do Banco Central, cuja indicação dependerá do próximo presidente e do Congresso; espera-se que haja apoio para manter Julio Velarde à frente da instituição, cargo que ocupa há 20 anos.

Os próximos governantes terão pela frente o desafio de superar a volatilidade política, recuperar o ritmo de crescimento e reduzir os custos sociais que se agravaram nos últimos anos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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