Um levantamento do g1 identificou oito instituições privadas no Brasil que cobram entre R$ 7.000 e R$ 13.500 por mês em cursos presenciais de Administração com duração de quatro anos. Sem considerar eventuais reajustes anuais, a soma das mensalidades ao longo do curso pode superar os R$ 648 mil.
Parte dessas faculdades posiciona seus programas como cursos “premium”, com uso frequente de termos em inglês para divulgar experiências como imersões, hubs de inovação e atuação prática voltada ao empreendedorismo e à liderança.
Ao menos metade das instituições apontadas pelo levantamento está concentrada na região da Avenida Faria Lima e do bairro Vila Olímpia, em São Paulo, área frequentemente referida por algumas faculdades como o “Vale do Silício paulistano”.
Lista das instituições e valores de mensalidade apurados:
Link School of Business (SP): R$ 13.500
PIB The New College (SP): R$ 10.000
Saint Paul Escola de Negócios (SP): R$ 8.900
Insper (SP): R$ 8.300
FGV-EAESP (SP): R$ 7.850
Inteli (SP): R$ 7.780
Ibmec (campus de SP): R$ 7.700
ESPM (SP e RJ): R$ 7.262
Para comparação, o Instituto Semesp apontou em 2024 que a média nacional de mensalidade para cursos presenciais de Administração é de R$ 930.
Como as instituições justificam preços mais altos
O levantamento destaca cinco argumentos usados pelas faculdades para explicar mensalidades elevadas:
1. Foco em liderança e formação de protagonistas — As instituições afirmam preparar CEOs, empreendedores e líderes capazes de gerar impacto econômico e social. A Link afirma que seu programa visa “formar empreendedores” e a PIB se posiciona como “escola de CEOs”.
2. Internacionalização — A oferta de experiências internacionais é destacada, com imersões em hubs de inovação globais e promessa de duplas titulações em casos como Insper e FGV. Link e PIB realizam imersões em locais como Stanford e Wharton, além de ecossistemas em Austin (Texas) ou Madrid. A Saint Paul mantém conexões com Harvard Business School Online e ESMT Berlin.
3. Metodologia prática (hands-on) — O ensino é apontado como orientado à resolução de problemas reais, com projetos vinculados a empresas e startups. O Insper tem o programa REP (Resolução Eficaz de Problemas) e o Inteli baseia seu currículo em projetos para organizações.
4. Corpo docente atuante no mercado — As escolas dizem empregar professores que também são fundadores, executivos ou profissionais de mercado, além de acadêmicos.
5. Processos seletivos alternativos — Algumas instituições substituem vestibulares tradicionais por avaliações de portfólio, entrevistas, desafios práticos e dinâmicas. A Link utiliza o “Link Journey” com análise de portfólio e vídeos motivacionais; Inteli e FGV privilegiam desafios práticos e entrevistas para avaliar candidatos.
As informações acima foram levantadas a partir do levantamento publicado pelo g1 e pelos dados divulgados pelas próprias instituições.
Com informações de G1




