Um novo protocolo chamado CVA (Coffee Value Assessment) está mudando a forma como cafés especiais são avaliados no Brasil, com objetivo de tornar a classificação mais objetiva, acessível ao consumidor e abrangente quanto aos fatores de valor do produto.
O modelo começou a ser implementado este ano e, segundo a nova regra, todos os Q-Graders passarão a utilizar o novo formulário em exames e avaliações oficiais. Instrutores do Sistema Faemg Senar receberam capacitação em 2025 na sede da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), em Varginha.
O que muda
A principal alteração do CVA é a padronização das descrições de aroma e sabor. Em vez de campos totalmente abertos que dependiam da livre interpretação do provador, o novo formulário oferece direcionamentos com notas predefinidas, o que visa uniformizar a linguagem usada nas avaliações e facilitar a compreensão pelo consumidor.
Entre as descrições previstas estão termos como amanteigado, nozes, chocolate, frutado, cítrico e frutas amarelas, listados para simplificar a identificação dos atributos sensoriais.
Nova estrutura de formulários
O protocolo amplia a avaliação para quatro formulários distintos:
Análise física: inspeção de defeitos no grão verde;
Descritivo: caracterização de sabor, acidez, corpo e doçura;
Afetivo: pontuação dos atributos em escala de 1 a 9;
Extrínseco: avaliação de fatores que vão além da bebida, como história do produtor, práticas sustentáveis e processo produtivo.
Para concursos e situações práticas foi prevista também uma versão combinada dos formulários descritivo e afetivo.
Valor além da xícara
O item extrínseco é um diferencial do CVA ao incorporar elementos como a trajetória do produtor, métodos sustentáveis e detalhes do processamento, permitindo que esses aspectos contribuam para a valoração do café. Segundo o especialista em café do Sistema Faemg Senar, Marcos Reis, a mudança ajuda a simplificar e destacar os principais atributos, facilitando o entendimento do consumidor.
O cafeicultor e supervisor do ATeG Café+Forte, Daniel Prado, afirma que o novo protocolo favorece pequenos produtores que adotam práticas artesanais, aumentando sua competitividade ao valorizar melhor a qualidade do produto.
Apesar de questionamentos sobre possíveis variações subjetivas entre avaliadores, a metodologia prevê calibração constante dos Q-Graders e já conta com adoção oficial por instituições como a BSCA, que iniciou a implementação no país. A expectativa é de adaptação do setor ao novo formato, mantendo consistência nas avaliações e melhor comunicação sobre o valor do café especial.
Com informações de Gazetadotriangulo




