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sexta-feira, outubro 23, 2026

Da periferia ao MBA nos EUA: a trajetória de quem foi o primeiro da família a cursar universidade

Primeiro da família a chegar ao ensino superior, Douglas vai para MBA nos Estados Unidos

Quem: Douglas Amorim, 29 anos, e Ellen Menezes, 25 anos.

O quê: Histórias de dois jovens que foram os primeiros de suas famílias a ingressar no ensino superior, detalhando a formação, os apoios recebidos e os próximos passos acadêmicos.

Onde e quando: Douglas nasceu e cresceu na Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo; foi aprovado em 2014 no curso de Ciência da Computação da USP em São Carlos. Ellen estuda Pedagogia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e está no último ano do curso.

Como: Douglas estudou em escolas públicas durante toda a educação básica. Fez ensino médio técnico em informática na ETEC de Itaquera, estudou em uma escola técnica em Guaianases e frequentou o cursinho popular Mafalda, com aulas aos sábados. Também participou do cursinho preparatório oferecido pela pró-reitoria da USP, voltado a alunos de escolas públicas que se destacavam como treineiros na Fuvest, recebendo bolsa de R$ 300, vale-transporte e alimentação. Após concluir a graduação em Ciência da Computação e um mestrado na USP, está se preparando para se mudar a Chicago, onde será bolsista em um MBA em inteligência artificial.

Ao ingressar em 2014 na USP de São Carlos, em uma turma de 100 alunos, Douglas era o único que havia completado todo o ensino fundamental e médio em escola pública e entrado direto na universidade. Segundo ele, a permanência estudantil — com alojamento e restaurante universitário gratuitos — foi fundamental para concluir a graduação.

Na família de Douglas, nenhum parente tinha diploma. O pai é mecânico de caminhões e a mãe, ex-costureira e atualmente dona de casa. Ainda assim, o ambiente doméstico incentivou os estudos: o pai estimulava com desafios de lógica e matemática e a mãe buscava oportunidades de cursos gratuitos. O sucesso acadêmico do filho teve efeito multiplicador: a mãe, que havia estudado até a 4ª série (atual 5º ano) no sertão da Bahia, retomou os estudos via EJA, concluiu o ensino médio e, durante a pandemia, fez o vestibulinho da ETEC, obtendo um curso técnico em administração.

No caso de Ellen Menezes, filha de pais oriundos da Bahia — a mãe vende milho e pamonha e o pai trabalha como motorista de aplicativo —, a entrada na universidade também representou uma mudança importante. Inicialmente aprovada em Ciências Sociais, ela voltou a prestar vestibular para atuar na educação infantil e ingressou em Pedagogia pela Unicamp pelo sistema de cotas étnico-raciais. Ellen pretende prestar concurso para lecionar em escolas públicas e conciliar o trabalho docente com estudos de pós-graduação (mestrado e doutorado), afirmando o desejo de atuar no ensino infantil nas escolas públicas.

As trajetórias de Douglas e Ellen ilustram caminhos distintos que convergem na busca por formação superior e pelo desejo de transformar a realidade familiar por meio da educação.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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