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sexta-feira, outubro 30, 2026

Daniel Jadue afirma que guerra contra o Irã representa fim do projeto sionista e declínio da hegemonia dos EUA

TRANSMISSÃO: Globo

Daniel Jadue, dirigente do Partido Comunista do Chile e ex-prefeito da Comuna de Recoleta, afirmou que a ofensiva contra o Irã pode representar o fim do projeto sionista e marcar o declínio do poder hegemônico dos Estados Unidos. Jadue, que integra a expressiva comunidade palestina no Chile — estimada em cerca de 500 mil pessoas, em sua maioria cristãos e descendentes de palestinos — concedeu a declaração na segunda parte de uma entrevista ao Brasil de Fato.

Na conversa, Jadue lembrou sua trajetória de militância pró-palestina, incluindo 15 anos na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), e analisou as implicações dos recentes ataques atribuídos a EUA e Israel contra o Irã. Ele disse ter percebido uma mudança de sentimento entre palestinos, que, após anos de violência em Gaza, reagiram aos ataques iranianos contra Israel com uma sensação de justiça e esperança. O ex-prefeito também comentou a descrença em relação à Autoridade Nacional Palestina, que, segundo ele, está desacreditada e distante de seu povo.

Jadue ressaltou que publicou há cerca de dois meses um artigo intitulado “Israel está morto”, no qual já defendia que erros estratégicos em Gaza e no Irã comprometeriam de forma definitiva o projeto sionista. Para ele, o que apresentou o sionismo como resposta moral ao Holocausto hoje se encontra implicado em atos comparáveis ao genocídio, desfazendo a narrativa histórica que sustentou sua legitimidade.

Sobre a estratégia iraniana, Jadue qualificou-a como a “guerra dos pobres”: uso de armamentos de baixo custo, pressão econômica e ações como o eventual fechamento do Estreito de Ormuz. Ele afirmou que esses elementos, além de ataques a bases americanas e a outros alvos, mostraram capacidade iraniana de mobilizar países da região e de sustentar uma resposta que os EUA e Israel não conseguiram neutralizar.

O ex-prefeito também relacionou acontecimentos recentes nos EUA, citando o caso de Joe Kent — chefe de contraterrorismo da CIA que pediu demissão e teria afirmado não haver ameaça iraniana à segurança dos EUA — como um episódio que reforça suspeitas sobre motivações políticas por trás do início do conflito, incluindo pressão de Benjamin Netanyahu sobre Donald Trump.

Quanto ao papel do Irã na região, Jadue afirmou que o país vem consolidando alianças e atraindo até antigos rivais, como o Iraque, e ampliando sua influência em defesa regional. Falou ainda sobre as manifestações de solidariedade à Palestina em capitais árabes e sobre a possibilidade de governos alinhados a EUA e Israel enfrentarem instabilidade interna.

Sobre o futuro do Brics e da ordem internacional, disse que o grupo já reconhece a convivência entre diferentes orientações ideológicas e defendeu a necessidade de um mundo multipolar e multilateral que evite a exploração global por poucas potências. Por fim, criticou setores da esquerda que, segundo ele, incorporaram hábitos do establishment econômico e apelou à mudança de estilos de vida e ao combate à lógica da acumulação.

Esta entrevista foi realizada dias antes do pedido de demissão de Joe Kent, então chefe de contraterrismo da CIA, e trazia análises de Jadue sobre os efeitos geopolíticos e regionais do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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