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sábado, outubro 24, 2026

Dario Durigan será o novo ministro da Fazenda após saída de Haddad

Dario Durigan, secretário-executivo e atual segundo na hierarquia do Ministério da Fazenda, deve assumir a chefia da pasta até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança foi confirmada em 19 de março de 2026, data em que Fernando Haddad encerra suas atividades à frente do ministério para dedicar-se à campanha ao governo de São Paulo.

O anúncio ocorreu durante evento em São Paulo em que o presidente Lula pediu que Durigan se apresentasse ao público como o sucessor de Haddad e ressaltou que será a ele que as pessoas deverão cobrar medidas futuras. O próprio Haddad confirmou a saída e a transição do cargo no mesmo evento.

Trajetória profissional

Durigan ingressou no Executivo em 2023 e participou da formulação de medidas destinadas à recomposição de receitas, incluindo aumentos tributários implementados pelo governo nos últimos anos. Ele também atuou na articulação e na regulamentação da reforma tributária sobre o consumo e teve papel na conclusão de uma renegociação da dívida dos estados.

Antes de retornar à área econômica, trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União entre 2017 e 2019. No setor privado, de 2020 a 2023, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp, coordenando temas ligados a políticas públicas e comunicação. Durigan integrou ainda a equipe de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, em 2015 e 2016. É advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e é descrito por interlocutores como de perfil discreto, com bom trânsito no governo e capacidade de articulação com o setor produtivo.

Principais desafios

À frente do Ministério da Fazenda, Durigan terá de coordenar a área econômica durante a campanha de reeleição do presidente Lula, período que tende a ser tenso e marcado por confrontos com a oposição e disseminação de desinformação. Entre os temas que devem entrar na agenda estão a discussão sobre o fim da jornada 6 por 1, a tributação sobre lucros e resultados dos trabalhadores, revisão de benefícios sociais e proposta de reforma de encargos sobre a folha de pagamentos.

Também está entre as prioridades a regulamentação e a transição da reforma tributária. O governo planeja implementar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027 e divulgar normas operacionais de transição ao longo de 2026, em um período de testes. A proposta contempla ainda um imposto seletivo — conhecido como “imposto do pecado” — sobre produtos com externalidades negativas, como bebidas alcoólicas e cigarros, tema que deverá ser debatido no Legislativo e pode elevar preços em ano eleitoral.

No plano fiscal, Durigan conduzirá o processo orçamentário até o fim de 2026, com a meta de retomar superávit nas contas públicas conforme o arcabouço fiscal aprovado em 2023. A meta central para 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. Há uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que significa que a meta será considerada cumprida com saldo zero ou até R$ 68,6 bilhões de superávit. O texto também permite excluir R$ 57,8 bilhões de despesas desse cálculo — por exemplo, para pagamento de precatórios —, o que na prática pode resultar em um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres em 2026, mesmo que o resultado oficial aparente saldo positivo.

Além da busca por receitas para atingir a meta, o novo ministro terá de lidar com restrições do arcabouço fiscal, que limita o aumento real das despesas a 2,5% ao ano. O crescimento de gastos obrigatórios acima desse limite reduz o espaço para investimentos e despesas discricionárias, o que tende a provocar bloqueios orçamentários.

O cenário internacional também eleva os riscos: a guerra no Oriente Médio provocou salto no preço do petróleo para acima de US$ 100 por barril, ante US$ 72 antes do conflito, o que pressiona inflação por meio dos combustíveis e pode dificultar a redução da taxa de juros, com efeitos sobre a geração de empregos. Em resposta, o Ministério da Fazenda anunciou um pacote com redução de impostos e subsídios para o diesel.

Durigan assume a Fazenda em um momento de transição política e desafios fiscais e externos, com a responsabilidade de manter o alinhamento das contas públicas e conduzir a agenda tributária e orçamentária até o fim de 2026.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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