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quinta-feira, novembro 5, 2026

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Trump

O montante total da dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões (R$ 206 trilhões) durante os primeiros 19 meses do segundo mandato de Donald Trump, um indicador do desafio fiscal que o presidente enfrenta após retornar à Casa Branca em janeiro de 2025. A elevação da dívida ocorre mesmo com promessas de enxugamento do Estado e cortes de despesas feitas pela administração.

Especialistas e documentos orçamentários apontam que o aumento não é resultado exclusivo das políticas atuais. A dívida cresceu ao longo de décadas sob governos republicanos e democratas, impulsionada por reduções de impostos, gastos militares, pacotes de estímulo econômico e pelo aumento de despesas associadas ao envelhecimento da população.

Medidas do governo e impacto nas contas

No início do segundo mandato, a administração adotou demissões em massa no serviço público federal e extinguiu programas considerados dispensáveis pelo governo. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou que Trump seria o “primeiro presidente a combater seriamente o desperdício, a fraude e os abusos generalizados em todo o governo federal”.

O déficit anual — a diferença entre arrecadação e despesas — reduziu-se apenas de forma marginal em 2025, segundo registros oficiais, mas a dívida agregada continuou crescendo. Estudos e estimativas citadas por organismos de orçamento indicam que cortes de impostos aprovados no primeiro mandato acrescentaram US$ 8,4 trilhões (R$ 43,3 trilhões) à dívida. No segundo mandato, a nova legislação tributária e de imigração elevou o passivo em outros US$ 4,7 trilhões (R$ 24,2 trilhões), conforme o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO).

Custo do financiamento e escolhas políticas

Além do aumento do estoque da dívida, o custo para financiá-la subiu: rendimentos de alguns títulos do Tesouro americano atingiram níveis não vistos em quase duas décadas. Analistas orçamentários alertam que, se nada for alterado, o governo poderá ser obrigado a medidas impopulares, como elevação de tributos ou cortes em programas sociais, incluindo a Previdência Social.

Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, afirmou que não há base para considerar o histórico fiscal de Trump um sucesso e ressaltou o papel central do presidente na definição da agenda que levou à situação atual.

Fatores de longo prazo

O envelhecimento da geração do baby boom pressiona contas públicas dos EUA: à medida que mais pessoas se aposentam, aumentam os gastos com benefícios e cresce a discrepância entre beneficiários e contribuintes. Embora outras lideranças republicanas tenham defendido reformas nesses programas no passado, a atual gestão ampliou iniciativas como contas de investimento apoiadas pelo governo para recém-nascidos.

A aposta do governo é que maior crescimento econômico, impulsionado por impostos mais baixos e menor intervenção estatal, aumente a receita e alivie a pressão fiscal. Em agosto, Trump disse que o crescimento resolveria o problema e chegou a afirmar, no fim do mesmo mês, que suas políticas poderiam elevar a produção dos EUA em 20% ao ano — ritmo alcançado apenas uma vez desde 1947, no terceiro trimestre de 2020.

Por outro lado, Kevin Warsh, chefe do Federal Reserve, alertou que o volume recorde de investimentos em inteligência artificial e em grandes empresas de tecnologia cria competição por capital e tende a pressionar juros para cima, elevando o custo de financiamento do governo.

Promessas de eficiência e resultados

Durante a campanha, Trump nomeou Elon Musk para chefiar o então Departamento de Eficiência Governamental, com a promessa de economizar US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões). A agência reportou uma economia de US$ 110 bilhões (R$ 566,5 bilhões), mas o Escritório de Responsabilidade Governamental apontou que muitas das estimativas eram exageradas ou não verificáveis.

Para a população, os efeitos da dívida já se refletem em custos cotidianos: juros mais altos encarecem financiamentos, enquanto pressões inflacionárias corroem o poder de compra. A travessia por escolhas orçamentárias complexas ganha sentido político diante da proximidade das eleições legislativas de novembro, que decidirão o controle do Congresso na segunda metade do mandato.

Autoridades do governo defendem que medidas tomadas pela administração e avanços econômicos merecem reconhecimento e podem aliviar o quadro fiscal; por outro lado, economistas como William Emmons, ex-vice-presidente de sistemas do Federal Reserve de St. Louis, sustentam que Trump herdou um cenário ruim e que suas políticas agravaram a situação.

A discussão sobre como equilibrar receitas, despesas e o custo do serviço da dívida permanece central para a agenda fiscal dos EUA, envolvendo decisões sobre impostos, gastos sociais e escolhas econômicas de longo prazo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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