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quinta-feira, setembro 10, 2026

Dona Beja: remake com Grazi Massafera estreia na HBO Max e revisita a trajetória de Ana Jacinta

TRANSMISSÃO: HBO Max

A nova versão da novela Dona Beja, protagonizada por Grazi Massafera, estreou no streaming e tem chamado atenção nas redes sociais. A produção retoma a trajetória de Ana Jacinta de São José, conhecida como Dona Beja, figura histórica de Minas Gerais no século XIX.

A personagem real nasceu em 1800 em Formiga (MG), filha de Maria Bernarda dos Santos, e teve um único irmão, Francisco Antônio Rodrigues. Dados da Fundação Cultural Calmon Barreto apontam que Ana Jacinta viveu em Araxá e em Estrela do Sul, então chamada Bagagem. Ainda na juventude, foi sequestrada por Joaquim Ignácio Silveira da Mota, ouvidor do rei de Portugal. Em 1819, retornou a Araxá acompanhada da filha Thereza Thomásia de Jesus.

Dona Beja elevou seu prestígio social ao construir um sobrado na Praça da Matriz da vila de Araxá, área onde ficavam a igreja, a Câmara e as residências mais nobres. No mesmo local, manteve a Chácara da Beja, conhecida popularmente como Chácara do Jatobá, que funcionou como bordel. Por volta de 1850, deixou a cidade em busca de diamantes em Bagagem — hoje Estrela do Sul — e fixou-se ali até sua morte, em 1873.

Dona Beja 2026 x Dona Beija 1986

Quarenta anos após a versão exibida pela extinta Rede Manchete, a história retorna em releitura que altera pontos centrais da narrativa original. A novela de 1986, que tratava com ênfase o contexto escravocrata da época, deu lugar na nova produção a uma abordagem que desloca o debate para pautas sociais contemporâneas, embora ainda destaque o preconceito racial. Segundo o jornalista Júnior Caritel, há um detalhe simbólico que marca a diferença entre as duas obras: a grafia do nome. A versão antiga usava “Dona Beija” (com “i”) e a adaptação atual optou por “Dona Beja”.

A diversidade aparece como um pilar da trama atual. Um exemplo citado é a melhor amiga de Beja, uma mulher trans que a protagonista salva de uma fogueira em Paracatu (MG), episódio que substitui a presença de personagens escravizados como principais aliados da protagonista, caso de Severina na versão de 1986. Outro eixo da nova narrativa é a abordagem da gordofobia, ilustrada pela personagem Carminha, filha de Costa Pinto, que sofre críticas constantes da mãe, Dona Augusta, por sua aparência.

Além da protagonista interpretada por Grazi Massafera, Maitê Proença também já viveu a personagem em adaptação anterior. O escritor e jornalista Pedro Divino Rosa, natural de Estrela do Sul e autor do livro “Dona Beija”, atribui a Ana Jacinta papel relevante na história regional: “Foi decisiva na anexação do Triângulo Mineiro de volta a Minas, quando o território ainda pertencia à província de Goiás. Isso ocorreu a partir da intervenção política dela”, afirmou em entrevista ao Paranaíba Mais.





A nova novela propõe, portanto, uma releitura histórica que prioriza aspectos míticos da figura de Dona Beja ao mesmo tempo em que incorpora temáticas atuais em sua narrativa.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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