As duas principais usinas siderúrgicas do Irã anunciaram, nesta quinta-feira (2), a suspensão das atividades em razão de ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos. As empresas relatam danos extensos a equipamentos que tornaram inviável a continuidade da produção.
Quem e onde: A Companhia Siderúrgica de Khuzestan, localizada no sudoeste do país, e a Companhia Siderúrgica Mobarakeh, na província de Isfahan, centro do Irã, informaram que vêm sofrendo ataques desde a semana passada e registraram prejuízos em vários setores das plantas.
O que ocorreu: Em comunicado publicado em seu site, a Mobarakeh afirmou que suas linhas de produção estão totalmente paralisadas devido à intensidade das ofensivas e que, no momento, não há condições de manter as operações. A Khuzestan divulgou declaração por meio do vice-diretor de operações, Mehran Pakbin, que disse que todos os módulos e os fornos de produção de aço do complexo foram danificados.
Quando devem voltar a operar: Segundo Pakbin, a retomada das atividades na usina de Khuzestan não ocorrerá em menos de seis meses. As previsões iniciais indicam que o retorno pleno das unidades poderá levar entre seis meses e um ano, no mínimo.
Por que o setor é relevante: O aço é classificado como material estratégico no país, com aplicação tanto na indústria civil quanto na produção militar, incluindo componentes para mísseis, veículos aéreos não tripulados (drones) e embarcações.
Reações e desdobramentos militares: Em resposta às operações que atingiram infraestruturas no Irã, a Guarda Revolucionária anunciou a intenção de lançar ataques com mísseis e drones contra zonas industriais de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Contexto político: Na mesma quinta-feira, o Irã declarou que continuará o conflito contra EUA e Israel “até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo”, prometendo ainda ataques mais devastadores, segundo comunicado do porta-voz das Forças Armadas, Ebrahim Zolfaqari, divulgado pela TV estatal. A fala foi uma reação a ameaças proferidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em pronunciamento televisionado na noite anterior, no qual Trump afirmou que pretende aplicar ataques mais fortes ao país e disse que poderá atingir a infraestrutura energética iraniana “nas próximas duas a três semanas”.
Antes do discurso de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian enviou uma carta dirigida ao povo norte‑americano, na qual ressaltou que o Irã não nutre hostilidade contra cidadãos comuns dos EUA, classificou as ações iranianas como defesa legítima e acusou o governo norte‑americano de enganar sua população. Pezeshkian também questionou se Washington age em função dos interesses dos próprios Estados Unidos ou como representante de Israel.
As informações sobre as paralisações das siderúrgicas e as declarações oficiais das autoridades iranianas foram divulgadas pelos próprios complexos industriais e pela televisão estatal.
Com informações de G1




