20.6 C
Uberlândia
segunda-feira, outubro 19, 2026

Economia da Argentina: crescimento do PIB e queda da inflação contrastam com alta da pobreza e do desemprego

Imagem: O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025.

A situação econômica da Argentina combina ganhos em alguns indicadores macroeconômicos com deterioração de variáveis sociais e do mercado de trabalho. O tema entrou na discussão política brasileira durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntou ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) se pretendia replicar no Brasil a política econômica adotada pelo argentino Javier Milei, em resposta a declarações da coordenadora econômica da campanha de Bolsonaro, Daniella Marques, que apontou o governo de Milei como inspiração para cortes de impostos e redução da burocracia.

Crescimento do PIB e composição

O Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 e 2% no segundo trimestre, em comparação com os mesmos períodos de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Apesar da expansão anual, o ritmo perdeu força: entre abril e junho houve queda de 0,6% frente ao trimestre anterior, já dessazonalizada.

O recuo trimestral refletiu contrações no consumo privado (-2,4%), no consumo público (-2,3%) e nos investimentos (-0,8%). Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo caiu 11,1%.

Setorialmente, o primeiro trimestre teve como motores da expansão atividades como agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%. No segundo trimestre, os avanços ficaram concentrados em setores ligados às exportações: pesca cresceu 44,7%, mineração e extração em pedreiras avançaram 16,4% e agropecuária subiu 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, ao passo que as importações diminuíram 8,6%. A indústria manufatureira, contudo, recuou 2,1%.

Inflação e ajuste fiscal

Uma das bandeiras do governo de Javier Milei foi a forte redução da inflação. O índice oficial, que chegou a quase 290% no acumulado de 12 meses, caiu para cerca de 30% durante os primeiros dois anos de sua gestão. Em agosto de 2026, a inflação mensal desacelerou para 1,7%, o menor resultado desde junho de 2025.

A estabilização dos preços ocorreu junto a um ajuste fiscal que incluiu cortes de gastos, retirada de subsídios e outras medidas de austeridade.

Pobreza e extrema pobreza

A desaceleração da inflação trouxe inicialmente queda da pobreza, que havia atingido 52,9% em 2024. No entanto, a melhora perdeu força: a proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza subiu de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre de 2026, segundo o Indec, que abrange 31 aglomerados urbanos. Esse percentual representou 9,7 milhões de pessoas em situação de pobreza, a primeira alta do indicador em dois anos.

A extrema pobreza também cresceu, passando de 1,9 milhão de pessoas (6,3% da população pesquisada) para 2,2 milhões (7,5%). Pelo critério do Indec, são considerados indigentes aqueles cuja renda não é suficiente para adquirir uma cesta de alimentos que supra necessidades diárias de energia e proteína.

Emprego e informalidade

O mercado de trabalho mostra limites à recuperação: a taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025, conforme o Indec. Estima-se que cerca de 1,8 milhão de pessoas estivessem desempregadas nos 31 aglomerados urbanos acompanhados pelo instituto. Quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade.

Setor empresarial e indústria

Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) apontam queda no número de empregadores com pelo menos um empregado registrado, de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026, uma redução de 32.290 empregadores (6,3%). Foi o 18º mês consecutivo de retração desse indicador, embora a saída da base não signifique necessariamente fechamento definitivo de empresas.

Entidades empresariais relatam que consumo enfraquecido, custos de energia e condições de financiamento pressionam principalmente pequenas e médias empresas. A maior abertura às importações intensificou a concorrência: o Centro de Economia Política Argentina (CEPA) aponta aumento de 34,7% nas compras externas de bens de consumo no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023, enquanto a produção industrial caiu 12% no mesmo intervalo. Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também indicam que custos elevados e o endividamento das famílias têm limitado o consumo e o desempenho das empresas locais.

A situação reúne, portanto, redução da inflação e crescimento concentrado em setores exportadores, ao mesmo tempo em que pobreza, emprego formal e produção local enfrentam desafios.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também