A família E2, da fabricante brasileira Embraer, tem ampliado sua atuação no segmento de aviação comercial ao combinar menor consumo de combustível, boa autonomia e capacidade adequada para rotas que não exigem aeronaves de maior porte. A linha é composta pelos modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2.
Apresentada em 2017 e produzida em São José dos Campos (SP), a família E2 se beneficia também de um cenário em que encomendas de aviões da Airbus e da Boeing chegam a ter prazos de atendimento de até dez anos. A Embraer afirma ser capaz de entregar uma unidade do E2 em menos de dois anos, vantagem competitiva citada pela empresa.
Em 2021, a companhia entregou 141 aeronaves e projeta alcançar 255 entregas em 2026. Em 24 de julho, a Embraer anunciou US$ 34,5 bilhões (equivalentes a R$ 177,7 bilhões) em pedidos que consideram todo o portfólio, incluindo jatos particulares e aeronaves militares.
Características técnicas e desempenho
A revista britânica The Economist destacou a autonomia e o baixo consumo de combustível como pontos que impulsionaram a procura pelos jatos E2. Os três modelos se diferenciam pela capacidade de assentos, peso e alcance, transportando entre 140 e 150 passageiros, o que os torna opções para rotas regionais e trechos com demanda intermediária.
O engenheiro mecânico Bruno Chieregatti, do Instituto Mauá de Tecnologia, avaliou que a família E2 reúne um projeto de massa bem concebido, motores de nova geração e sistemas de navegação modernos. Chieregatti observou que, embora as aeronaves da Embraer tenham capacidade menor que muitos modelos da Boeing e da Airbus — que frequentemente levam entre 180 e 200 passageiros —, um avião com 140 a 150 assentos oferece às companhias maior flexibilidade para operar voos diferenciados.
Mercado e clientes
No mercado doméstico, companhias como Azul e Latam já operam aeronaves da família E2, e a Gol firmou compra de 20 unidades do modelo E195-E2. Internacionalmente, operadoras ou interessadas na linha incluem Avelo Airlines (EUA), Finnair (Finlândia), Star Air (Índia), Luxair (Luxemburgo) e Airlink (África do Sul).
A demanda por aeronaves menores aumentou com o crescimento das viagens e os problemas na cadeia de suprimentos desde a pandemia de Covid-19, elevando o valor de prazos de entrega reduzidos como diferencial comercial.
A família E2 também ganhou atenção após uma instabilidade global no GPS afetar a operação de algumas unidades, em especial na frota da Azul. A Embraer informou que o problema não comprometeu a segurança dos voos, já que os jatos dispõem de sistemas de navegação capazes de manter a operação mesmo diante de falhas no sinal de GPS.
Em resumo, autonomia, eficiência de combustível, variabilidade de capacidade entre os três modelos, prazo de entrega inferior a dois anos e presença em frotas nacionais e estrangeiras têm sido os fatores que ajudam a linha E2 a conquistar espaço em um mercado pressionado pela demanda por viagens e pela demora nas entregas de aeronaves maiores.
Com informações de Uberlandianofoco




