Evento em Uberlândia amplia visibilidade internacional do Cerrado
Entre 21 e 23 de maio, Uberlândia (MG) sedia o encontro “Cerrado no Mundo: Territórios, Direitos e Incidência Global”, que reúne lideranças indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, representantes de religiões de matriz africana, pesquisadores, ativistas e organizações socioambientais. A programação visa reforçar a defesa dos direitos territoriais e inserir a luta por justiça climática do bioma nos fóruns internacionais.
O evento conta com a participação de Javier Palummo, Relator Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH/OEA). Um dos momentos previstos é a integração inicial dos participantes, que ocorrerá das 11h às 12h30 (Brasília UTC-3).
Organizadores destacam que o Cerrado tem papel central na manutenção dos recursos hídricos do país e na conexão entre diferentes biomas. Apesar disso, ressaltam, a savana brasileira aparece com menos frequência nas pautas internacionais do que outros territórios ambientais, como a Amazônia. A iniciativa em Uberlândia busca reverter essa invisibilidade e aproximar o bioma de mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos.
Entre as vozes presentes, Carolina Martini, da AMEDI – Ambiente e Educação Interativa, enfatizou a importância do Cerrado como “caixa d’água” do Brasil. Representantes jovens e lideranças locais, como Marília Gabriely Marcelino da Cunha, do Território Indígena Buriti e do Conselho Terena do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas, criticaram a exclusão das populações que historicamente cuidam do bioma das decisões que afetam seus territórios.
O encontro também aborda a dimensão cultural e espiritual ligada ao Cerrado. Babá Aurélio de Odé, da comunidade Ilê Odé Axé Opô Inle, definiu o território como sagrado e ligado à alimentação, espiritualidade e sobrevivência cultural. Maria de Jesus Alves, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), trouxe relatos sobre violência e ameaças às mulheres em comunidades tradicionais diante da invasão de territórios.
Na agenda institucional, Danilo Ferreira Almeida Farias, coordenador de Litigância Estratégica Socioambiental do WWF-Brasil, relacionou a conservação do Cerrado ao cumprimento de compromissos ambientais do Brasil. Painéis e debates tratarão de justiça climática, direitos territoriais, agendas globais e do Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI).
A programação ocorre na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Santa Mônica, com atividades em auditórios AB e CD do Bloco 5R. Algumas sessões estão abertas ao público; outras são fechadas. Entre os participantes confirmados estão representantes do Ministério do Meio Ambiente, da CIDH, organizações indígenas, pesquisadores e membros de movimentos sociais, além de nomes como Alexandre Pires, Rafael Schincariol, Hiparidi Top Tiro, Diego Soares, Gustavo Malacco, Rodrigo Deodato (participação online), Dinaman Tuxá, Dandara Tonantzin, Fábio Martins e Denise Dora (participação online).
No sábado, 23 de maio, haverá vivências culturais com visita à Aldeia Kauã Poty Guarani e ao Ponto de Cultura Moçambique Estrela Guia, ambas em Uberlândia, abertas ao público. O encontro é promovido por uma articulação que inclui Rede Cerrado, AMEDI, Brazil Office Alliance, CIDH/REDESCA, GT Cerrado, Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, Câmara dos Deputados, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Governo Federal.
Ao final das atividades, lideranças reforçam a demanda para que a presença pontual se transforme em participação contínua nos espaços de decisão, garantindo que as experiências e saberes das populações tradicionais integrem permanentemente as agendas nacionais e internacionais sobre clima e direitos humanos.
Com informações de Vozdeuberlandia




