Visita de Estado de Donald Trump a Pequim será curta, mas com agenda densa
O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, marcado para quinta e sexta-feira (14 e 15/5) em Pequim, reúne negociações bilaterais, um banquete e uma visita ao Templo do Céu. A segurança na histórica Praça Tiananmen foi reforçada nos dias que antecederam a chegada, enquanto autoridades chinesas se preparavam para receber o chefe de Estado americano.
TRANSMISSÃO: Globo | Band
Apesar da programação compacta, a cúpula tem potencial para direcionar questões-chave nas relações entre as duas maiores potências: comércio global, tensão sobre Taiwan e competição por tecnologias avançadas, como inteligência artificial. Analistas e autoridades citadas na cobertura apontam que, mesmo com pouco tempo de conversas, decisões tomadas ou entendimentos firmados podem influenciar a agenda bilateral por anos.
A China tem tentado também atuar nos bastidores da crise no Oriente Médio. Pequim, junto ao Paquistão, apresentou em março um plano de cinco pontos para buscar cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, esteve em Pequim recentemente, gesto avaliado como demonstração da influência chinesa na região. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou esperar que a China pressione o Irã a mudar de postura.
Do ponto de vista econômico, o conflito já pressiona a economia chinesa, cuja desaceleração e aumento do desemprego convivem com alta dos preços do petróleo. Segundo a reportagem, alguns produtores na China registraram aumento de custos de cerca de 20% em insumos ligados a petroquímicos. A liderança chinesa em energias renováveis e carros elétricos mitiga parte dos impactos, mas a dependência das exportações torna o país sensível a choques externos.
O tema Taiwan também estará na pauta. Em dezembro, os EUA anunciaram um acordo de venda de armas de US$ 11 bilhões a Taiwan, e o governo americano impôs tarifa de 15% sobre o território no ano passado. Trump minimizou publicamente a disposição dos EUA de defender Taiwan, afirmando que “ele considera que é parte da China” sobre a posição de Xi e comentando que “não nos dá nada” em retorno por garantias de segurança.
Nas negociações comerciais, Trump e Xi devem tratar das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e da investigação sobre práticas comerciais chinesas que pode abrir caminho para novas tarifas. Em 2025, os dois países chegaram perto de uma nova guerra comercial, com tarifas oscilando muito e medidas de retaliação — incluindo cortes chineses em exportações de minerais de terras raras e redução de compras de safras americanas.
A corrida tecnológica e a disputa pela liderança em inteligência artificial também constam entre os pontos delicados. Autoridades americanas acusam empresas chinesas de roubo de tecnologia em larga escala, enquanto Pequim busca chips de ponta produzidos nos EUA para aprimorar suas indústrias. A China processa cerca de 90% dos minerais de terras raras do mundo, insumo estratégico para eletrônicos e equipamentos modernos, o que pode ser usado como barganha em possíveis acordos.
Trump convidou CEOs de empresas como Nvidia, Apple, Exxon e Boeing para acompanhá-lo na visita, de acordo com a Reuters. Mesmo sem garantias de pactos profundos em encontros tão rápidos, a expectativa é que a impressão mútua entre os líderes — respeito e tratamento recebido — influencie a estabilidade do relacionamento bilateral.
O encontro ocorre após outras interações recentes entre os dois líderes: eles se reuniram em Busan, na Coreia do Sul, em outra ocasião que antecedeu esta visita. A agenda de Pequim deve, portanto, combinar sinais diplomáticos, discussões econômicas e temas de segurança regional em pouco mais de 48 horas de compromissos.
Com informações de G1




