A cirurgia robótica em urologia já não é mais uma promessa: tornou-se prática consolidada em grandes centros, segundo especialistas. Ainda assim, pacientes e profissionais têm questões recorrentes sobre como a tecnologia atua na preservação de funções, no tempo de recuperação e em sua autonomia. O urologista Dr. Victor Hugo Borges, do Instituto de Cirurgia Robótica do Triângulo (ICR.T), respondeu às principais perguntas com base científica e na experiência clínica.
Como a técnica preserva funções delicadas sem comprometer o tratamento?
Em procedimentos urológicos como prostatectomia radical, nefrectomia parcial e cistectomia, a atenção à preservação funcional — por exemplo, da continência urinária e da função sexual — é crucial. Segundo Dr. Victor Hugo, a cirurgia assistida por robô reúne três características que favorecem esse objetivo: visão tridimensional ampliada, instrumentos com articulação de precisão e sistemas que filtram tremores naturais das mãos. Essas capacidades permitem identificar e manejar com mais cuidado estruturas anatômicas complexas, mantendo o foco no controle da doença.
A literatura internacional, apontam estudos citados pelo especialista, demonstra que a prostatectomia robótica tende a apresentar melhores índices de manutenção da continência e da função erétil em comparação à cirurgia aberta, sem redução da eficácia oncológica.
O que mudou na recuperação do paciente?
A adoção da cirurgia robótica alterou a experiência pós-operatória ao reduzir o dano cirúrgico. Entre os efeitos observados estão menor perda sanguínea, dor pós-operatória reduzida, menor necessidade de opioides e internamento hospitalar mais curto. Dr. Victor Hugo destaca que os pacientes têm menos sequelas funcionais e retomam suas rotinas com maior rapidez, embora cada recuperação seja individual e respeite etapas necessárias.
O robô atua de forma autônoma?
Um dos mitos mais comuns é a ideia de que o robô opera sozinho. O especialista esclarece que o sistema não possui autonomia: todos os movimentos são controlados pelo cirurgião, que permanece integralmente responsável pelo procedimento. A tecnologia amplia a capacidade técnica do operador, mas não substitui a tomada de decisão clínica nem o comando humano.
Por que a urologia adotou amplamente essa tecnologia?
A urologia foi uma das especialidades que mais incorporou a cirurgia robótica porque muitos órgãos urológicos estão situados em áreas profundas e de difícil acesso na pelve, onde a visualização e a precisão são decisivas. Atualmente, a técnica é usada rotineiramente em câncer de próstata, tumores renais, câncer de bexiga, reconstruções do trato urinário e cirurgias funcionais complexas.
Tecnologia aliada à responsabilidade
Para Dr. Victor Hugo, o valor real da cirurgia robótica reside na combinação entre tecnologia, formação específica do cirurgião, indicação adequada e infraestrutura hospitalar. No ICR.T, a prática está alinhada à medicina baseada em evidências e à avaliação individual de cada paciente, garantindo indicação e condução seguras dos procedimentos.
A cada caso, a decisão sobre a técnica mais adequada considera eficácia no tratamento e preservação da qualidade de vida.
Com informações de Uberlandianofoco




