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sexta-feira, outubro 23, 2026

Estudo alerta que chatbots de IA uniformizam a forma de falar, escrever e pensar

Pesquisadores de ciência da computação e psicologia afirmam que chatbots baseados em grandes modelos de linguagem (LLMs) estão tornando mais homogênea a maneira como as pessoas se expressam e raciocinam, o que pode reduzir a diversidade cognitiva e a capacidade de adaptação humana. A conclusão consta de um artigo publicado em meados de março na revista Trends in Cognitive Sciences.

O autor principal do estudo, o cientista da computação Zhivar Sourati, professor da Universidade do Sul da Califórnia, advertiu que, ao mediar comunicações e produção textual, os LLMs tendem a uniformizar estilos, perspectivas e estratégias de raciocínio. Segundo ele, quando muitas pessoas recorrem ao mesmo conjunto limitado de assistentes de IA para tarefas cotidianas, a variedade de expressões e visões de mundo diminui.

Os autores apontam evidências de que as respostas geradas por esses modelos apresentam menos variedade do que textos produzidos por seres humanos e que frequentemente refletem valores e padrões de raciocínio associados a sociedades ocidentais, educadas, industrializadas, ricas e democráticas (o grupo conhecido pela sigla WEIRD). Essa concentração de referências, dizem os pesquisadores, envolve um recorte estreito da experiência humana.

O artigo também destaca paradoxos observados em estudos anteriores: embora indivíduos tendam a produzir mais ideias ao usar LLMs, equipes que se apoiam nesses modelos mostram criatividade reduzida em comparação com grupos que combinam suas competências sem o auxílio da IA. Além disso, os especialistas alertam para efeitos sociais indiretos: pessoas que não usam a tecnologia ainda podem sentir pressão para adotar padrões alheios se a maior parte do seu entorno passa a pensar e comunicar-se de determinada maneira.

Como medida corretiva, os autores recomendam que desenvolvedores incorporem a multiplicidade do mundo real nos conjuntos de treinamento dos grandes modelos, tanto para preservar a diversidade cognitiva quanto para melhorar o próprio raciocínio das máquinas.

Em contato com uma IA sobre o tema, a ferramenta reconheceu que influencia e, em muitos casos, uniformiza formas de expressão humana, apontando também o risco de perda de vínculos genuínos e menor interação pessoal — um sinal, segundo os pesquisadores, de possível desumanização nas relações mediadas por essas tecnologias.

O avanço das ferramentas de inteligência artificial traz ainda preocupações sobre outros impactos sociais, como a maior exposição de imagens de crianças nas redes sociais, ressaltam os especialistas.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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