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sábado, outubro 31, 2026

EUA incluem tilápia brasileira em tarifa de 25% e impacto no preço interno é limitado, dizem especialistas

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, anunciada na segunda-feira, 1º de junho, que inclui a tilápia entre os itens sem exceção. A medida pode entrar em vigor em 15 de julho e, segundo o governo americano, visa punir atos, políticas e práticas do Brasil consideradas “irrazoáveis” e que “onerariam ou restringiriam” o comércio dos EUA, conforme documento ligado à investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A sobretaxa será aplicada pelos compradores nos Estados Unidos sobre mercadorias brasileiras, ou seja, será cobrada das empresas americanas importadoras. A tilápia é o pescado brasileiro mais exportado, e os Estados Unidos recebem cerca de 90% do volume vendido ao exterior, segundo dados citados por especialistas. Ainda assim, as exportações representam aproximadamente 2,1% da produção total de tilápia no Brasil, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior.

Para Matheus Do Ville Liasch, analista de mercado de tilápia do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), embora as vendas externas do produto tenham crescido, o destino prioritário aos EUA ainda é pequeno diante do total produzido internamente, o que limitariam efeitos relevantes sobre os preços domésticos mesmo se houver queda nas exportações.

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, aponta que pode ocorrer redução de preços em mercados regionais, mas não projeta queda generalizada em nível nacional. Medeiros também destaca que o tipo de produto fornecido ao mercado americano difere: cerca de 80% do consumo de tilápia nos EUA é de filé congelado, enquanto o Brasil exporta majoritariamente filé fresco.

O documento do USTR e a lista de exceções divulgada também indicam produtos brasileiros que ficariam fora da sobretaxa de 25%, incluindo categorias amplas como carnes e produtos agrícolas, minérios, combustíveis, químicos, fertilizantes, vacinas e itens do setor aeroespacial, entre outros.

A investigação que motivou a proposta foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. No ano passado, o governo americano já havia anunciado outras medidas tarifárias sobre o Brasil, como sobretaxa de 10% anunciada em abril de 2025 e uma sobretaxa de 40% comunicada em julho de 2025; essas medidas chegaram a ser anuladas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro de 2026.

Segundo representantes do setor, as tarifas anunciadas no ano passado reduziram a rentabilidade dos produtores, que chegaram a absorver parte dos custos para manter vendas. No segundo semestre de 2025, as exportações brasileiras de tilápia para os Estados Unidos caíram 43,7%, enquanto houve aumento de vendas para o Canadá. Especialistas também observam que o Brasil segue atrás de China, Colômbia e Indonésia entre os fornecedores de tilápia para o mercado americano, ocupando a quarta posição.

Representantes da indústria aguardam os prazos de consulta pública e defendem avaliações técnicas no processo, ressaltando que a tilápia não foi mencionada especificamente na investigação baseada na Seção 301.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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