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quarta-feira, outubro 14, 2026

EUA lançam ofensiva bilionária para garantir acesso a minerais críticos do Brasil

Ofensiva americana mira reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos

Os Estados Unidos iniciaram uma estratégia bilionária para ampliar o acesso às reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para a indústria de energia limpa, eletrônica e o setor de defesa. Estimativas citadas apontam que o Brasil concentra entre 20% e 23% das reservas mundiais de terras raras, a segunda maior participação mundial, atrás apenas da China.

A ofensiva americana atua em duas frentes: econômica e política. No campo econômico, o governo dos EUA e investidores privados planejam ampliar aportes em empresas brasileiras ou estrangeiras com autorizações de pesquisa ou exploração no país. Fontes consultadas pela BBC News Brasil disseram que os americanos estariam dispostos a investir “dezenas de bilhões de dólares”, formar parcerias e ingressar como sócios em mineradoras, inclusive em projetos ainda em fase inicial.

Como parte dessa estratégia, em setembro de 2025 os EUA anunciaram um aporte de US$ 5 milhões na mineradora Aclara, listada na Bolsa de Toronto, que tem projetos de pesquisa sobre terras raras em Nova Roma (Goiás). Em fevereiro de 2026, a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC) liberou US$ 565 milhões à mineradora Serra Verde, investimento que garantiu participação acionária americana na companhia e foi anunciado como destinado ao refinanciamento de linhas de crédito.

A Serra Verde responde por praticamente toda a produção operacional de terras raras do Brasil em 2025. Segundo dados citados, o país exportou US$ 12 milhões em terras raras naquele ano, dos quais 99,4% foram para compradores chineses. A mineradora informou, segundo a Reuters, que encerraria seu contrato de fornecimento à China no final de 2026, adiantando em pelo menos sete anos o término do vínculo.

No plano político, os EUA enviaram em fevereiro ao Ministério das Relações Exteriores uma versão preliminar de um memorando de entendimento sobre minerais críticos, semelhante ao acordo firmado entre os EUA e a Austrália em outubro de 2025. O Itamaraty confirmou o recebimento e informou que analisa a proposta como parte da preparação para um encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, cuja reunião em Washington prevista para este mês ainda não foi confirmada por ambos os governos.

O governo brasileiro tem sinalizado cautela. Autoridades avaliam que não há motivo para pressa, em função da posição estratégica do país como fornecedor e pela relutância em restringir o acesso da China ao mercado. Interlocutores de Lula dizem também que o Brasil busca parceiros que invistam no processamento das terras raras em território nacional, evitando o ciclo de exportação de matéria-prima e importação de produtos transformados.

Uma etapa da agenda americana ocorrerá em São Paulo, em 18 de março de 2026, quando o Consulado dos EUA promoverá um fórum sobre minerais críticos para reunir empresários, representantes governamentais dos dois países e bancos de investimento. O evento deve aproximar investidores de projetos de mineradoras “juniors” que detêm direitos minerários ou estão em processo de aquisição desses direitos em Goiás, Minas Gerais e Bahia. Entre as exigências americanas para investimentos estaria a priorização, na fase operacional, de compradores finais nos EUA ou em aliados, restringindo o acesso da China.

Especialistas citados ressaltam, porém, que a capacidade americana de refino e processamento é limitada: hoje os EUA refinam apenas 11% da produção global de terras raras, segundo o diretor de assuntos minerários do Ibram, Julio Nery. A presença prevista de representantes do Departamento de Guerra e do Departamento de Energia no fórum em São Paulo destaca o caráter estratégico e de segurança da disputa, já que esses minerais são usados em aviões, mísseis e outros equipamentos militares.

Em nível multilateral, os EUA promoveram em fevereiro uma reunião com representantes de 54 países para propor uma zona de comércio preferencial de minerais críticos, com mecanismos para impedir supostas manipulações de mercado. O Brasil participou com uma delegação de menor peso diplomático, segundo a reportagem, para evitar impressão de compromisso imediato. O governo federal declarou que está “aberto ao diálogo e à cooperação com iniciativas internacionais que contribuam para uma cadeia global de minerais críticos mais resistente, transparente e sustentável” e que trata do tema com diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos, União Europeia, China e outros.

O presidente Lula afirmou, durante visita do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em 9 de março, que o Brasil não repetirá o modelo de vender minério para comprar produtos acabados e defendeu parcerias que promovam transformação industrial no país: “Já está avisado que o Brasil não vai fazer aquilo que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu minério para comprar produtos acabados pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria será para fazer os processos de transformação aqui no Brasil.”

A disputa por minerais críticos e terras raras coloca o Brasil no centro de uma corrida geopolítica em que os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China na produção e no processamento desses insumos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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