23.6 C
Uberlândia
domingo, outubro 25, 2026

EUA oferecem recompensa superior a US$ 1 milhão por informações sobre frigoríficos investigados, entre eles JBS e Marfrig

Governo dos EUA abre investigação e promete recompensa por denúncias contra grandes processadores de carne

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana que pagará uma recompensa que pode superar US$ 1 milhão a quem fornecer informações sobre práticas comerciais irregulares em frigoríficos sob investigação. Entre as empresas alvo estão a JBS e a National Beef, controlada pela Marfrig nos EUA; as norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são examinadas desde novembro do ano passado.

A ação foi deflagrada a pedido do presidente Donald Trump, que acusou as companhias de elevar os preços da carne bovina por meio de conluio ilícito. Segundo o Departamento de Justiça (DOJ), a fatia de gado adquirida por esses processadores saltou de cerca de um terço para mais de 80% entre 1980 e 1990, o que teria concentrado o mercado.

O DOJ informou ter analisado mais de 3 milhões de documentos e ouvido centenas de pessoas do setor, incluindo pecuaristas e produtores. A recompensa divulgada pode corresponder a 15% a 30% do valor das multas aplicadas às empresas, e a expectativa é que o montante ultrapasse US$ 1 milhão. O pagamento será concedido a quem apresentar informações sobre possíveis crimes contra a concorrência ou fraudes.

Em nota, a Marfrig afirmou respeitar as leis de defesa da concorrência e ressaltou que a National Beef opera nos EUA em sociedade com 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia. O G1 procurou a JBS, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

A JBS é apontada pela própria empresa como a maior produtora de carne nos Estados Unidos. A Marfrig classifica a National Beef como a quarta maior do país e a mais lucrativa do setor, segundo sua avaliação.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, declarou que a propriedade estrangeira de grandes processadores representa um risco para o país e afirmou que uma companhia de capital brasileiro detém aproximadamente um quarto do mercado, com histórico documentado de corrupção e atividades ilícitas. Rollins associou a empresa a denúncias envolvendo corrupção, organização de cartéis e trabalho análogo ao escravo.

No Brasil, o Ministério Público do Trabalho no Pará pediu no dia 29 a condenação da JBS a pelo menos R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão na cadeia da pecuária; a empresa afirmou não ter sido notificada sobre essas ações. O conselheiro da Casa Branca, Peter Navarro, também afirmou que o lobby da carne, supostamente representado por interesses brasileiros, teria pressionado a administração e contribuído para o desvio de carne dos EUA para a China.

Em agosto, os EUA aplicaram uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, entre eles carne, e o Brasil segue como principal fornecedor de gado ao mercado norte-americano. A disponibilidade de animais para abate nos EUA caiu ao nível mais baixo em quase 75 anos após seca prolongada que reduziu pastagens e elevou custos de alimentação. Além disso, a suspensão, há um ano, da maior parte das importações de gado mexicano por temor à bicheira-do-Novo-Mundo restringiu ainda mais a oferta.

A combinação de oferta reduzida e demanda firme manteve os preços pressionados, levando frigoríficos a pagar mais pelo gado. No fim do ano passado, a JBS fechou definitivamente uma unidade nos arredores de Los Angeles voltada ao atendimento de supermercados, e a Tyson Foods já havia anunciado, em janeiro do ano anterior, o fechamento de uma planta de abate em Nebraska que empregava cerca de 3.200 pessoas.

Pecuaristas americanos vinham criticando o presidente desde outubro, após ele sugerir a importação de mais carne da Argentina para reduzir preços recordes. Em resposta às críticas, Trump disse que os pecuaristas estariam melhor financeiramente por conta das tarifas impostas, incluindo a de 50% sobre produtos do Brasil.

As investigações prosseguem enquanto o governo busca informações que possam embasar ações por violações antitruste e fraudes no setor frigorífico.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também