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domingo, outubro 25, 2026

Ex-chefe do WhatsApp no Brasil lança ONG para receber denúncias contra big techs

Ex-diretora do WhatsApp no Brasil cria ONG para acolher reclamações e denúncias contra plataformas

A CTRL+Z é uma ONG recém-criada para receber denúncias de usuários e funcionários contra grandes empresas de tecnologia. Fundada por Daniela da Silva, ex-diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, e pela jornalista Tatiana Dias, a organização oferece encaminhamento jurídico gratuito e um canal para relatos sobre plataformas como Instagram, Facebook, Google e X.

Por enquanto, a iniciativa está em fase de testes, e as responsáveis alertam que o suporte legal pode demorar. A CTRL+Z já conta com uma equipe de advogados e busca parcerias; segundo Daniela, “E já surgiram ofertas. Começamos a receber várias mensagens de escritórios de advocacia interessados em fechar parceria”.

O objetivo declarado pela ONG é promover responsabilização das big techs e abrir espaço para que empregados dessas empresas também façam denúncias sobre práticas internas que ainda não vieram a público. Para isso, a CTRL+Z criou o programa #VazaBigTech, voltado a incentivar funcionários a enviar informações relevantes ao interesse público.

As denúncias podem ser registradas gratuitamente pelo formulário disponível no site da ONG (https://ctrlz.org.br/add/). Usuários são orientados a informar o nome da plataforma, descrever o problema, relatar contatos e respostas da empresa e anexar provas quando possível. É possível fornecer dados pessoais como nome, cidade e e-mail, autorizar o contato de um advogado e optar pela divulgação pública ou não do caso.

Entre os tipos de ocorrências citadas pela ONG estão suspensão de contas sem aviso, existência de perfis falsos, vazamento de dados, bloqueios temporários considerados injustificados e perda de acesso por conta de invasão (hackeamento). Daniela descreveu um caso em que uma conta do Google usada por cerca de 20 anos foi suspensa sob suspeita de uso indevido de imagem de exploração infantil, o que, por causa do login único da empresa, resultou na perda de acesso a várias ferramentas; após a intervenção da ONG, o acesso foi recuperado.

Para proteger o conteúdo das denúncias, a CTRL+Z decidiu não usar formulários de big techs, como Google Forms e Microsoft Forms, e adotou um sistema com criptografia de ponta a ponta, em que somente remetente e destinatário conseguem acessar as informações. As fundadoras ressaltam que, embora a plataforma seja acessível por navegadores comuns, o nível máximo de segurança e anonimato na submissão só é garantido se o denunciante utilizar o navegador Tor.

Tatiana Dias afirma que a ferramenta permite o envio anônimo de denúncias e acrescenta que, nesses casos, “nem a gente tem como saber quem é”, assegurando que a identidade da fonte permanece protegida.

Daniela da Silva deixou a Meta no início de 2025. Ela ocupou o cargo de diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, e decidiu sair após o anúncio de Mark Zuckerberg sobre o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos. Em publicação no LinkedIn, ela afirmou que a mudança de discurso da empresa e a adesão a posições ideológicas distintas dos valores que orientavam seu trabalho foram motivos para a decisão, descrevendo a saída como inesperada e sem um plano prévio.

Com o lançamento da CTRL+Z, Daniela e Tatiana esperam reunir relatos, documentos e informações sobre decisões consideradas arbitrárias ou negligentes pelas big techs, além de prestar suporte jurídico a vítimas e proteger o anonimato de fontes internas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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