Bruno Eulálio Santos, 27, concluiu o curso no domingo (12)
Bruno Eulálio Santos, de 27 anos, que desenvolveu um método de estudo com mais de 1,3 mil cartões de memorização — os chamados flashcards — para passar no vestibular, se formou em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no domingo (12). Ele percorreu uma trajetória que inclui trabalhos em Minas Gerais e em Santa Catarina e seis anos de curso até a formatura.
Antes de se mudar para Santa Catarina, Bruno trabalhou em um lava-jato em uma favela de Contagem (MG). Já em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, atuou como faxineiro em um hospital particular, experiência que despertou seu interesse pela medicina. “No início de 2018, eu estava trabalhando em um hospital particular, em Balneário Camboriú, de faxineiro. Naquela época eu já estudava, mas não queria medicina. Mas, vendo a rotina e convivendo com o pessoal comecei a pensar nessa área”, contou.
Para conciliar trabalho e preparação para o vestibular, Bruno fez um cursinho online e produziu blocos de flashcards baseados nas semanas de estudo indicadas pela plataforma. Os cartões eram adaptados para caber no bolso, traziam perguntas direcionadas ao conteúdo, recomendações para o dia da prova e frases de incentivo. Ao todo, somaram mais de 1,3 mil cartas.
Ele aproveitava deslocamentos, como viagens de ônibus, para estudar. Quando encerrou o contrato de trabalho no hospital, em março de 2019, pôde se dedicar mais aos estudos com o apoio da irmã para a manutenção da casa. Após cerca de dois anos de estudo intensivo, foi aprovado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2020. “Quando eu passei, foi uma sensação indescritível. Foi um alívio de dois anos de muito esforço, estudando e trabalhando, e um momento de muita felicidade com a minha família”, relatou.
No curso, a rotina enfrentou um novo desafio com a pandemia de Covid-19: os dois primeiros semestres foram ministrados de forma remota. Bruno manteve e aperfeiçoou seu método de flashcards, adotando aplicativos que automatizam a frequência de retorno dos cartões, o que facilitou a organização e o revisitar dos conteúdos.
Além de usar o método para seus estudos, ele passou a oferecer o serviço nas redes sociais, firmando parcerias com um cursinho e gerando renda adicional. Também atuou como monitor na universidade e, em determinado momento, recebeu apoio das políticas de assistência estudantil da UFSC.
Sobre a rotina intensa de estudo e trabalho, Bruno afirmou: “Não consigo romantizar, foi muito, muito difícil”. Ele disse ainda que foram necessárias muitas abdicações e que a saúde mental foi prejudicada. Seu conselho para quem concilia emprego e estudo é ter consciência da dificuldade e paciência: “Tenha em mente que é uma situação ruim. Tenha em mente que você vai precisar, infelizmente, fazer mais do que as outras pessoas estão fazendo, senão não vai dar certo”.
Formado, Bruno pretende trabalhar inicialmente e, mais adiante, escolher entre cardiologia ou psiquiatria, áreas pelas quais manifesta interesse.
Com informações de G1




