Brasília — Em depoimento à Polícia Federal datado de 15 de outubro e divulgado em 29 de outubro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou que ele estruturasse uma operação entre a instituição pública e o Banco Master.
De acordo com o relato de Costa, a orientação ocorreu em 24 de setembro de 2024, durante um jantar na casa do banqueiro Daniel Vorcaro. O ex-presidente declarou que foi convocado pelo gabinete do governador e, no encontro, Ibaneis o apresentou a Vorcaro e pediu que fosse preparada uma venda do BRB para o Master.
Costa disse ter reagido com surpresa à solicitação e que, no dia seguinte ao jantar, procurou o governador para manifestar oposição à negociação. Segundo ele, havia preocupação de que a operação pudesse levar à privatização do banco público, que é considerado estratégico para os interesses do Distrito Federal.
O ex-presidente relatou ainda que Ibaneis teria argumentado que a decisão caberia ao governo distrital, acionista majoritário do BRB. Costa afirmou que a estratégia de expansão do banco e a aquisição de carteiras de crédito do Master integravam um planejamento discutido com o então governador e que essas medidas foram posteriormente submetidas às instâncias de governança da instituição.
A Polícia Federal investiga suspeitas de irregularidades nas operações entre as duas instituições financeiras. Em sua apuração, a corporação apontou possíveis fraudes na negociação de carteiras de crédito e concluiu a primeira fase do inquérito com o indiciamento de 15 pessoas, entre elas Daniel Vorcaro e o próprio Paulo Henrique Costa. O Banco Central havia vetado anteriormente a tentativa do BRB de adquirir o Banco Master.
Em nota à imprensa, a defesa de Ibaneis Rocha negou que o governador tenha determinado ou sugerido a abertura das negociações. Os advogados afirmaram que Costa dispunha de autonomia e responsabilidade pelas decisões do banco.
O depoimento de Costa adiciona um novo elemento às investigações e amplia a repercussão política do caso. As declarações serão analisadas pelas autoridades responsáveis, e as suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação dos envolvidos.
Com informações de Revistasoberana




